Artigo assinado por Paulo Cavalcanti destaca que o verdadeiro poder que move o Brasil sempre existiu, mesmo que invisível, disperso e subestimado. Mas quando se reconhece e se organiza, deixa de apenas sustentar o país para começar, enfim, a participar da gestão
Muito se fala nos três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário. Em tempos modernos, também se reconhece a força da imprensa como um quarto poder, com capacidade de informar, influenciar debates e fiscalizar os rumos da sociedade.
Mas existe um poder ainda pouco compreendido no Brasil, embora seja absolutamente essencial para a vida nacional.
Este verdadeiro quinto poder é o associativismo da classe produtiva brasileira. Uma força que nasce do trabalho, não se apoia em cargos públicos, não depende de nomeações e não se sustenta em discursos.
Um poder que representa o esforço das mãos de milhões de brasileiros que acordam cedo para produzir, servir, empreender, empregar, vender, plantar, transportar, construir, consertar, ensinar, cuidar e movimentar a economia nacional.
Fazem parte desse quinto poder os empregadores e trabalhadores formais e informais, microempreendedores, autônomos, profissionais liberais, produtores rurais, comerciantes, industriais, prestadores de serviço, cooperados, inovadores e criadores de soluções.
São eles que sustentam o cotidiano do país. Enquanto o Estado arrecada, é a sociedade produtiva que gera a riqueza que permite a arrecadação existir. Enquanto se discutem leis, é o esforço diário do povo trabalhador que mantém empresas abertas, empregos vivos e cidades funcionando.
Nos acostumamos a observar os movimentos vindos de Brasília, mas o Brasil verdadeiro acontece nas ruas, nas oficinas, nas fazendas, nos mercados, nos escritórios, nas fábricas e nos pequenos negócios espalhados por cada bairro e município.
O problema é que esse poder imenso ainda atua, muitas vezes, sem consciência da própria força. Milhões produzem, mas poucos se reconhecem como parte de uma mesma engrenagem nacional. Uma legião que sustenta o sistema, mas ainda não se enxerga como um corpo organizado capaz de influenciar os rumos do país.
É exatamente aí que entra o associativismo. Quando a classe produtiva se organiza em associações, federações, confederações, cooperativas e entidades representativas, ela deixa de ser apenas soma de esforços individuais e se transforma em voz coletiva.
É a partir desta organização que esta força passa a defender melhores condições para produzir, a propor soluções, a participar do debate público e equilibrar relações entre Estado e sociedade.
O associativismo não é privilégio de empresários, é instrumento de cidadania econômica, é a forma civilizada de transformar trabalho em representação, esforço em influência e produção em desenvolvimento nacional.
O Brasil amadurecerá quando reconhecer uma verdade tão simples quanto inconveniente: nenhum governo sustenta sozinho uma nação. Quem sustenta o país é o seu povo produtivo. E quando esse povo entende sua força e decide caminhar unido, nasce o verdadeiro quinto poder: o associativismo.
Porque o futuro do Brasil não depende apenas de quem governa. Depende, sobretudo, de quem produz.