Foram contratadas 132 mil unidades habitacionais entre janeiro e março, alta de 4% em relação a 2025; montante financiado alcançou R$ 30,6 bilhões, um crescimento expressivo de 17% na comparação anual
Os dados do primeiro trimestre de 2026 consolidam um cenário de forte expansão para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Relatório da ABRAINC, com base em informações do Portal do FGTS da Caixa Econômica Federal, aponta crescimento relevante tanto no número de unidades contratadas quanto no volume financeiro investido, reforçando a solidez do setor de incorporação voltado à habitação popular.
Volume cresce e ticket médio avança
Entre janeiro e março de 2026, foram contratadas 132 mil unidades habitacionais, alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025. O principal destaque, no entanto, está no volume de recursos: o montante financiado alcançou R$ 30,6 bilhões, um crescimento expressivo de 17% na comparação anual.
Esse descompasso entre o aumento do número de unidades e o volume financeiro indica uma elevação no ticket médio dos financiamentos. O movimento reflete, principalmente, a expansão da Faixa 3 e a maior participação da classe média no programa.
Crescimento disseminado entre as faixas
Todas as faixas do MCMV apresentaram desempenho positivo no período, evidenciando a capacidade de adaptação do programa às diferentes demandas do mercado.
Na Faixa 1, o crescimento foi de 22% no volume financiado, impulsionado pela atualização de subsídios nas regiões Norte e Nordeste e pelo reajuste dos tetos para acompanhar os custos do setor.
A Faixa 2 registrou avanço de 9%, mantendo estabilidade e relevância dentro do programa.
Já a Faixa 3 foi o grande destaque do trimestre, com expansão de 41%, beneficiada por mudanças regulatórias que facilitaram o acesso ao crédito.
São Paulo lidera, mas interiorização ganha força
O estado de São Paulo segue como principal mercado do MCMV, com crescimento de 17% no período. A capital paulista, sozinha, respondeu por 15% de todo o volume financiado no país — cerca de sete vezes mais que o Rio de Janeiro, segundo colocado entre os municípios.
Apesar dessa liderança consolidada, os dados apontam uma tendência clara de descentralização.
O Nordeste ganhou destaque ao ampliar sua participação em 4 pontos percentuais, com estados como a Paraíba registrando crescimento de 54% na produção.
Ao mesmo tempo, regiões como Norte e Centro-Oeste vêm se consolidando como novos polos de expansão. Cidades médias, como Sorocaba (SP) e Águas Lindas de Goiás (GO), passam a ganhar relevância, reforçando a força dos mercados fora das capitais tradicionais.
Perspectiva para 2026: orçamento histórico
As projeções para o restante de 2026 indicam um cenário ainda mais positivo. O orçamento total do MCMV deve alcançar o patamar histórico de R$ 207 bilhões.
Esse volume será reforçado por um aporte adicional de aproximadamente R$ 50 bilhões provenientes do Fundo Social do Pré-Sal, incluindo recursos remanescentes de anos anteriores.
Redação ABRAINC