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Incorpora ABRAINC 2026 reúne 700 participantes para debater crédito imobiliário, reforma tributária e mudanças no perfil do comprador
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Luiz França (ABRAINC), Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes defendem preservação do FGTS e crédito estável; Dario Durigan fala em reforma tributária e financiamento; e pesquisa inédita mostra comprador mais jovem, digital e que já planeja a segunda compra
São Paulo, outubro de 2026 – Crédito estável, segurança jurídica e uma agenda nacional de habitação marcaram o 9º Incorpora ABRAINC, realizado nesta quarta-feira, no Teatro B32, na capital paulista. Logo na abertura, o presidente da entidade, Luiz França, lembrou que cada ponto percentual a menos nos juros do financiamento habitacional pode levar a casa própria a 1,3 milhão de famílias. Defendeu a isenção de LCIs, a preservação do FGTS e a criação de um fundo perene, abastecido com recursos do Fundo Social.
"Para transformar esse potencial em realidade, nós precisamos de uma agenda nacional de habitação, com compromisso do governo e a participação do setor privado. Assumimos o compromisso de quem empreende porque acredita no Brasil: seguir investindo, gerando empregos e ampliando o acesso das famílias à casa própria", finalizou o presidente da ABRAINC.
"Abertura institucional — o mandato do setor"
Primeiro a subir ao palco, o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez uma defesa enfática do principal fundo de financiamento da moradia. "Usar o FGTS para resolver um problema de curto prazo, que é o endividamento, é uma irresponsabilidade. A gente tem que preservar o FGTS", afirmou. Segundo ele, o setor responde quando recebe o incentivo adequado: "O mercado responde quando a gente dá o estímulo correto".
O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, seguiu na mesma linha e sustentou que a política habitacional precisa caminhar ao lado de educação, saúde e mobilidade, com o crédito como peça central da estratégia.
A programação continuou com a entrevista de William Waack ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que participou por vídeo, de Brasília, no painel "O que já está decidido para 2027". O ministro classificou a reforma tributária como um grande ganho de produtividade para a economia e anunciou uma nova frente de financiamento, articulada com o Banco Central. Afirmou ainda que FGTS, Fundo Social e Orçamento Geral da União serão necessários para sustentar o crédito. Na mesma sessão, o empresário Rubens Menin, fundador da MRV&Co, defendeu a disciplina fiscal: "Doloroso é não fazer esse ajuste".
Antonio Lavareda, Fábio Zambeli e Gustavo Franco, mediados por Waack, examinaram em "72 horas depois: o Brasil que saiu das urnas" o ambiente pós-eleitoral e seus reflexos sobre a economia e o mercado imobiliário. Já o debate "Quem vai financiar o comprador do próximo ciclo?", conduzido por Luiz França, reuniu representantes de Núclea, Bradesco, Itaú BBA, XP e CAIXA em torno das fontes de funding para a próxima etapa do crédito. Raul de Oliveira Gomes, da CAIXA, informou que o banco tem recursos garantidos para o financiamento habitacional até 2029.
Ainda pela manhã, "A conta da virada: reforma tributária em 2027" colocou lado a lado Victor Miranda (Pacaembu), Rodrigo Dias (VBD Advogados), Irene Paixão (TOTVS) e o auditor-fiscal Fernando Mombelli, da Receita Federal. Mombelli contou que o órgão recebeu cerca de 4 mil sugestões durante a regulamentação e que 2026 funciona como ano de testes para a transição.
"Pesquisa Projetos de Vida Imobiliária por Geração"
O estudo inédito apresentado pela Brain à tarde traçou o retrato de um comprador em plena transformação. Cerca de 14 milhões de brasileiros vivem sozinhos, o equivalente a um em cada cinco domicílios, número que dobrou em dez anos. Entre a Geração Z, 90% pensam em trocar de imóvel, mas apenas 3% dos que têm menos de 28 anos conseguem dar R$ 100 mil de entrada, contra 40% dos que passaram dos 60. A população brasileira, por sua vez, começa a diminuir a partir de 2041.
"Aprendemos a desenhar casas para famílias, mas cada vez mais teremos de desenhar casas para indivíduos", resumiu o CEO da Brain, Fábio Tadeu Araújo. Para a CEO da BRZ, Eduarda Tolentino, a mudança é também simbólica: "Para os nossos pais, comprar o imóvel significava chegar. Para essa nova geração, comprar o primeiro imóvel significa começar". Segundo ela, a Geração Z já responde por 55% dos clientes da companhia, ante 31% a 32% em outras faixas. Participaram ainda do painel Cláudio Carvalho (A/W Realty), Ramon Azevedo (Morada AI) e Milena Brito (Comgás).
O recado das gerações converge com a mensagem que abriu o encontro: a demanda por moradia existe e se renova, mas só vira compra com juros menores e crédito acessível, sobretudo para os mais jovens.
Na sequência, o painel "Operar em escala: onde a gestão devolve tempo e reduz risco" mostrou como tecnologia e gestão encurtam prazos e reduzem exposição. Thomas Buettner, da Paggo, relatou que cerca de dois em cada mil pagamentos são potencialmente fraudulentos, o que já permitiu evitar perdas superiores a R$ 10 milhões. Em "Capital fechado: atravessar o ciclo sem o relógio do trimestre", executivos de EY, Pacaembu, Construtora Capital, Integra e Secovi-SP discutiram o modelo de empresas sem ações em bolsa. "Fechar o capital não significa ocultar informação", disse Victor Bassan de Almeida, da Pacaembu.
Mediado por Eduardo Fischer, da MRV&Co, o debate "Industrializar sai mais barato?" reuniu representantes de Knauf, ADN, Grupo SteelCorp e SindusCon-SP. Daniel Gispert, do Grupo SteelCorp, avaliou que a padronização do código de obras e o ganho de escala tornam a industrialização "um caminho sem volta".
O encerramento ficou com "Quanto custa a burocracia na incorporação?". A mediadora, Laura Ribeiro Henriques, da Direcional, estimou que os entraves custem ao setor cerca de R$ 5 bilhões por ano, o equivalente a 1% de um mercado que movimentou aproximadamente R$ 500 bilhões em 2025. O diagnóstico dos painelistas foi que o país já digitalizou etapas importantes, como a assinatura eletrônica de contratos, mas que a digitalização fragmentada ainda mantém os atritos. Felipe Greco, da Trillia/B3, apontou que um processo tradicional de registro tem cerca de 50% de devolução por exigências dos cartórios, índice que cai para 30% com o registro digital e para 5% em uma esteira com inteligência artificial, que reduz o prazo para cerca de dez dias. "Se a gente digitalizar o processo como é hoje, vamos ter uma burocratização digital", alertou.
O diretor da ONR, Carlos Andrade, projetou para 2027 o protocolo eletrônico integrado por API, a verificação automática de assinaturas e procurações e o uso de inteligência artificial na qualificação dos títulos, com prazo de um a dois dias. A meta de longo prazo é que o comprador saia do estande com o financiamento aprovado e receba o registro no dia seguinte.
O Incorpora ABRAINC 2026 conta com o patrocínio Diamante da Alea, patrocínio Platinum da Brain, Comgás, Infiniti, Intelbrás, Knauf, Morada AI, Paggo, Senior, Totvs, Trillia, Um Negócio – B3 e XP; patrocínio Ouro do Bradesco, Itaú BBA e Núclea; patrocínio Prata da Caixa Econômica Federal e do Banco Inter; e patrocínio bronze da ESAF, Santander e Wiz Corporate.
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