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14 de abril de 2026

Com 5,3% das emissões nacionais, construção brasileira se destaca no comparativo da média global

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Estudo da ABRAINC e Deep ESG revela que matriz elétrica renovável, clima favorável e desempenho das habitações impulsionam a baixa emissão do setor

Estudo elaborado pela Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC) em parceria com a consultoria Deep ESG revela que a construção civil no Brasil opera com um dos menores perfis de emissões de gases de efeito estufa (GEE). O levantamento traz uma análise detalhada da participação da construção na transição climática nacional e aponta como características estruturais brasileiras oferecem condições propícias para o avanço de soluções de baixo carbono.

O estudo “Oportunidades de Descarbonização da Construção no Brasil” indica que o setor representa 5,3% das emissões nacionais, resultado influenciado pela predominância de fontes renováveis na matriz elétrica, pelas condições climáticas favoráveis e pelo arcabouço técnico estabelecido pela Norma Brasileira de Desempenho (NBR 15.575). 

Principais indicadores de emissões do setor
Segundo o levantamento, a construção civil no Brasil emite, em média, 0,43 tonelada de CO₂ por habitante ao ano, contra 3,06 toneladas na média mundial — diferença de sete vezes. Quando se considera a área construída, as emissões nacionais variam de 0,49 a 0,56 tonelada de CO₂ por metro quadrado, em comparação a 1,53 tonelada de CO₂/m² no cenário global.

O total de emissões associadas à construção e manutenção de edificações no Brasil é estimado em 90,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e), o que representa 5,3% das emissões nacionais. Desse montante, 48,5 MtCO₂e (2,8%) correspondem a emissões incorporadas — geradas na produção e transporte de materiais — e 42 MtCO₂e (2,5%) decorrem do consumo de energia no uso dos imóveis.

O estudo revelou que 94,8% das emissões associadas à construção estão concentradas no chamado “Escopo 3” — ou seja, na cadeia de suprimentos: produção de cimento, aço, vidro e outros materiais essenciais às obras. As emissões diretas (Escopo 1) representam 5%, enquanto as emissões de energia (Escopo 2) correspondem a apenas 0,3%.

Habitação, inclusão e o desafio do desenvolvimento sustentável
A análise aponta que a expansão da moradia formal e o avanço da inclusão social devem elevar o consumo energético nas próximas décadas, à medida que famílias vulneráveis migrem para habitações mais adequadas. No entanto, mesmo esse processo de formalização tende a manter o país com baixas emissões, desde que nossa matriz elétrica permaneça majoritariamente renovável. Hoje, o Brasil enfrenta um déficit habitacional superior a 6 milhões de moradias, com a necessidade de produzir cerca de 1 milhão de novas unidades por ano para atender à demanda.

Nesse contexto, o desafio brasileiro será promover desenvolvimento urbano com redução de impacto ambiental. Para avançar nessa trajetória, o estudo recomenda a modernização da cadeia de materiais, a ampliação de sistemas construtivos industrializados, o estímulo à circularidade e a evolução dos fornecedores na publicação de Declarações Ambientais de Produtos (EPDs).

“O setor da construção tem papel central no desenvolvimento do país e já opera em condições estruturais favoráveis para avançar com responsabilidade para uma economia de baixo carbono. O grande desafio ambiental brasileiro é garantir que o avanço habitacional e a melhoria da qualidade de vida caminhem ao lado de inovação, eficiência e uma cadeia produtiva cada vez mais sustentável”, afirma Luiz França, presidente da ABRAINC.

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Loures Consultoria
imprensa.abrainc@loures.com.br

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