ABRAINC NEWS

18 de fevereiro de 2025

Setor da construção defende flexibilizar Bolsa Família para gerar empregos

Compartilhar:

Com proposta de flexibilização do programa, trabalhador integrado a mercado de trabalho não perderia imediatamente auxílio

Representantes do setor da construção civil divulgaram uma carta na qual propõem um modelo de flexibilização para o Bolsa Família. A ideia é criar um modelo de transição no qual o benefício seja reduzido gradativamente conforme a renda cresce.

A carta, divulgada no Metro Quadrado, do Brazil Journal, reforça a importância do programa social para assegurar renda mínima e garantir que os beneficiários tenham uma vida digna, além do impulso que é gerado para a economia local e nacional.

Contudo, o setor afirma que a atual estrutura do Bolsa Família incentiva uma dependência involuntária daqueles que recebem o auxílio, o que acaba prejudicando a oferta de mão de obra no mercado de trabalho.

“A estrutura atual do programa incentiva a permanência na assistência ao criar um dilema cruel para seus beneficiários: ingressar em um emprego formal e perder 100% do auxílio, ou manter-se em um ciclo de dependência para garantir uma segurança financeira mínima”.

Com a proposta de flexibilização do benefício, o trabalhador integrado ao mercado de trabalho não perderia imediatamente o auxílio, mas o montante seria reduzido de forma progressiva à medida que o colaborador ganhasse estabilidade no mercado formal.

“Ao criar um modelo de transição no qual o benefício seja reduzido gradativamente conforme a renda cresce, o Brasil pode experimentar um salto econômico, com impacto direto na geração de empregos, no aumento da arrecadação e na estabilidade inflacionária. Se os beneficiários puderem trabalhar sem perder imediatamente o auxílio, mais dinheiro circulará, aquecendo a economia”, diz o texto.

Economia dinâmica

Ao propor uma flexibilização do programa com a redução progressiva do benefício, o setor vê grande potencial para a dinâmica econômica e para o setor da construção civil, que exerce papel importante no mercado de trabalho.

“Se os beneficiários puderem trabalhar sem perder imediatamente o auxílio, mais dinheiro circulará, aquecendo a economia. A construção civil e a indústria poderão preencher vagas essenciais e voltar a operar com força total, reduzindo atrasos em obras e contribuindo para o crescimento do PIB”, diz o documento.

Assinaram a carta Rubens Menin, chairman da MRV&Co, controlador do Inter, da Log Commercial Properties e da CNN Brasil; Ricardo Valadares Gontijo, chairman da Direcional Engenharia; Claudio Andrade, chairman da Tenda e Roberto Reis, publicitário e consultor político.

Leia carta na íntegra

Trabalho + Bolsa Família: o binômio que pode mudar o Brasil

O Bolsa Família é um dos pilares do Estado de bem estar social brasileiro, impactando a vida de milhões de famílias e contribuindo para uma sociedade mais justa e igualitária. Os mais de R$ 14 bilhões gastos anualmente beneficiam 20,7 milhões de lares em todo o País – uma rede de proteção social essencial num Brasil profundamente desigual.

O Bolsa Família garante não só o acesso a necessidades básicas – alimentação, saúde e educação – como também impulsiona a economia local e nacional.

Ao assegurar uma renda mínima, o programa permite que os beneficiados tenham vidas dignas enquanto se preparam para maior autonomia.

Dito isto, o programa tem um lado sombrio: a dependência involuntária.

Apesar de sua relevância, o Bolsa Família gerou um efeito colateral perigoso: um aprisionamento social, uma submissão indesejada, dependência e estagnação econômica de milhões de brasileiros.

A estrutura atual do programa incentiva a permanência na assistência ao criar um dilema cruel para seus beneficiários: ingressar em um emprego formal e perder 100% do auxílio, ou manter-se em um ciclo de dependência para garantir uma segurança financeira mínima. Esse modelo desestimula o crescimento econômico, empurra trabalhadores para a informalidade e contribui para a escassez de mão de obra em setores essenciais.

O nó que precisamos desatar é: como fazer trabalho e Bolsa Família andar juntos?

A flexibilização do Bolsa Família é uma discussão para já. Permitir que os beneficiários possam trabalhar sem perder imediatamente o direito ao auxílio é uma mudança que pode transformar o mercado de trabalho e a economia do País. Setores como a construção civil enfrentam uma crise de mão de obra porque muitos potenciais trabalhadores não querem perder o benefício ao aceitar um emprego formal.

Ao criar um modelo de transição no qual o benefício seja reduzido gradativamente conforme a renda cresce, o Brasil pode experimentar um salto econômico, com impacto direto na geração de empregos, no aumento da arrecadação e na estabilidade inflacionária.

Se os beneficiários puderem trabalhar sem perder imediatamente o auxílio, mais dinheiro circulará, aquecendo a economia.

A construção civil e a indústria poderão preencher vagas essenciais e voltar a operar com força total, reduzindo atrasos em obras e contribuindo para o crescimento do PIB.

Com mais trabalhadores ativos, a produção cresce, equilibrando oferta e demanda e estabilizando preços.

Diversos estudos indicam que políticas de inserção laboral contribuem com o crescimento do PIB.

Claro, não basta simplesmente aprovar a medida e esperar que tudo se resolva. É fundamental executá-la com transparência e responsabilidade, em vez de tratá-la como uma jogada eleitoreira.

A transição deveria ser gradual. O benefício deve ser reduzido de forma progressiva à medida que o trabalhador ganhe estabilidade no mercado formal.

A flexibilização do Bolsa Família é um aprimoramento essencial para que ele cumpra sua missão de maneira mais eficaz. Não podemos mais ignorar a realidade: milhares de beneficiários já estão buscando renda extra na informalidade.

O Brasil precisa de uma solução que equilibre segurança social e mobilidade econômica. A pergunta não é se devemos mudar, mas como e quando o faremos.

Rubens Menin é chairman da MRV&Co.

Ricardo Valadares Gontijo é chairman da Direcional Engenharia.

Claudio Andrade é chairman da Tenda.

Roberto Reis é publicitário e consultor político.

Fonte: CNN Brasil

Foto de capa: Fernando Frazão/Agência Brasil

Compartilhar:

Notícias relacionadas

10 de agosto de 2026

ABRAINC celebra marca de 100 associados em Reunião de Associados

Na última quarta-feira (05), a ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) reuniu seus associados em sua tradicional Reunião de Associados. O encontro tem como

Categoria:
15 de julho de 2026

Pesquisa da ABRAINC é destaque em análise da Exame sobre uso de IA no mercado imobiliário

Levantamento realizado pela ABRAINC e  Brain Inteligência Estratégica mostra a percepção das empresas sobre os impactos da tecnologia nos negócios.

Estudo elaborado pela ABRAI

Categoria:
2 de julho de 2026

ABRAINC participa de evento da CAIXA sobre marco de R$ 1 trilhão em crédito imobiliário

Renato Lomonaco, diretor de Assuntos Econômicos  da ABRAINC, representou a Associação em painel sobre a trajetória da habitação no país

A ABRAINC participou,

Categoria:
30 de junho de 2026

ABRAINC reúne diretores técnicos para debater planejamento estratégico na produção

Encontro exclusivo para associadas reuniu representantes de cerca de 20 empresas e discutiu desafios, inovação, industrialização e gestão de obras em grandes empreendimentos

A ABRAINC realizou, no dia 2

Categoria: