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6 de fevereiro de 2023

Qual o impacto da inteligência artificial no mercado imobiliário?

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Diante do avanço de diversas ferramentas, qual o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado imobiliário? Esta pergunta vem tomando conta de diferentes segmentos, e é claro que a negociação de imóveis não fica de fora.

A discussão ganhou espaço nas últimas semanas com o crescimento do ChatGPT, ferramenta que executa tarefas como a criação de textos e códigos de programação, tudo de acordo com as instruções de usuários. Outra função é a entrega de respostas diretas para buscas e perguntas, praticamente concorrendo com o Google.

É possível, por exemplo, solicitar que o programa crie um texto de 1.000 caracteres sobre qualquer assunto à escolha, como, por exemplo, a descrição de imóveis. A função já faz parte da rotina de muitos corretores estrangeiros, dando a pista sobre o que rolar no Brasil em pouco tempo.

Para o mercado imobiliário em geral, isso representa a oportunidade de agilizar tarefas, apoiar a produção de materiais, descritivos e revolucionar a busca por imóveis. Porém, de acordo com especialistas, o lado humano segue insubstituível na criação de vínculo com os clientes.

Como as empresas utilizam a inteligência artificial?

De acordo com o especialista em tecnologia Edney Souza, o “InterNey”, ferramentas de IA similares ao ChatGPT estão revolucionando a produção de conteúdo. De forma indireta, isso vai impactar todas as indústrias. 

“Vamos pegar 2 exemplos que existem em todas as empresas: Marketing e Produtividade. Dentro do marketing você pode usar o ChatGPT para acelerar a criação e melhorar artigos, newsletters, anúncios, e-books e chatbots. Na produtividade profissional você pode usar o ChatGPT para acelerar a criação e melhorar e-mails, orçamentos, relatórios e análise”, ressalta.

Souza destaca também que o ChatGPT pode ser capaz de ajudar a entender os clientes e promover anúncios mais criativos, que vão captar mais leads e gerar melhores conversões. 

“Por outro lado, como risco, é importante entender que a ferramenta inventa coisas e nem sempre suas sugestões estão corretas do ponto de vista técnico, por isso é melhor usar o ChatGPT para dar ideias do que para produzir conteúdos do zero. Toda vez que ele criar algo, o ideal é que alguém que tenha conhecimento técnico do assunto revise o que foi criado”.

Inteligência artificial no mercado imobiliário: o que vem por aí?

No mercado imobiliário, alguns recursos de IA já fazem parte da rotina. Entre eles, recomendação de imóveis conforme perfil e localização, realização de pré-atendimento e agendamento de visitas.

Entre as novidades, algumas empresas do setor já estão aproveitando o apoio do ChatGPT para a produção de materiais. 

Um exemplo é um ebook lançado em janeiro pela Kodo Assets, plataforma de tokenização imobiliária. A publicação foi assinada por Helena Margarido, COO da empresa, mas contou com auxílio do ChatGPT, o que ajudou a obra a ser totalmente produzida em apenas uma semana.

Acontece que a conferência de um especialista humano segue como indispensável para garantir a qualidade da informação. Como o ChatGPT cruza informações de uma base de dados própria para entregar as respostas, é comum que o resultado seja desconexo e não solucione a questão conforme o esperado. Ou seja, a ferramenta pode tornar o trabalho mais prático, mas exige que haja um humano por trás.

“Nos testes que fizemos, o programa errou muitas informações. Além disso, o formato dos textos é repetitivo, pois a IA cumpre tarefas de maneira automática, o que pode fazer com que mais de uma agência produza materiais idênticos. Esta produção, sem personalidade e linguagem direcionada, não consegue entregar a personalidade que uma incorporadora, imobiliária ou corretor de imóveis precisa ter para se conectar com o cliente”, afirma Camila Gasparini, coordenadora de Conteúdo da CUPOLA, principal agência e consultoria do mercado imobiliário brasileiro. 

Lado humano de gestores e corretores precisará brilhar mais do que nunca

Segundo Edney Souza, a ideia do uso das IAs não é criar barreiras ou obstáculos para o cliente, mas avaliar adequadamente se determinada construtora ou imobiliária realmente possui as ofertas que o cliente precisa. Isso economiza tempo para todas as partes envolvidas. 

“Uma vez selecionadas as oportunidades, o lado humano entra em ação interagindo, apresentando, encantando e negociando com o cliente. Com mais tempo disponível e sabendo que o cliente realmente busca aquela oportunidade é possível melhorar o padrão de atendimento que temos atualmente. A máquina atrai e explica, o ser humano se relaciona”, destaca.

Criação autoral de conteúdo para o imobiliário deve seguir em alta

Falando do trabalho de influenciadores e produtores de conteúdo do mercado imobiliário, precisamos considerar que grande parte do posicionamento das imobiliárias nas buscas do Google se tratam daquelas que chamamos de comerciais (quando os usuários querem procurar uma marca ou serviço) ou transacionais (quando os usuários pretendem realizar uma compra). 

“Quando as pessoas querem decidir algo, a busca no Google ainda é uma das principais ferramentas para auxiliar no processo. Quando falamos da compra de imóveis, por exemplo, que são bens de alto valor agregado, vários detalhes fazem a diferença, como fotos, localização e outros detalhes de apresentação que conseguimos ter acesso quando navegamos por um site imobiliário por meio da busca do Google. Este tipo de busca é uma tarefa que, atualmente, o ChatGPT ainda não entrega. Portanto, neste sentido, ele ainda não representa uma ameaça”, avalia Aline Borges, líder da equipe de sites na CUPOLA.

Desta maneira, a autoridade de quem produz conteúdos por conta própria e leva informações qualificadas diretamente para o cliente deve seguir inabalável. “O Google tem reforçado a autoridade de pessoas que produzem conteúdo e dado mais relevância nas buscas. Isso porque ele consegue identificar e separar aqueles materiais que são originários de inteligência artificial”, aponta Mateus Toignal, especialista em UI/UX Design na CUPOLA.

Entretanto, pensando no longo prazo, há grande potencial para que as inteligências artificiais sejam ainda mais aprimoradas. Portanto, não podemos descartar que ocorram em breve reinvenções para o mercado em geral, incluindo o imobiliário.

Fonte: Imobi Report

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