O levantamento analisou o cenário dos principais lançamentos do mercado imobiliário em São Paulo entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, abrangendo o perfil de imóvel MCMV de diversas incorporadoras. Os dados revelam que o mercado residencial paulistano atravessa um ciclo estrutural de consolidação dos compactos, com metragens entre 22 e 47 m², impulsionado pela mobilidade como ativo primário e pela redução do tamanho médio das famílias. Em bairros tradicionalmente de classe média-alta, o enquadramento no MCMV e HMP (Habitação de Mercado Popular) tem funcionado como um motor de absorção, viabilizando o acesso a essas regiões e ampliando o público comprador.
Sobre os achados do estudo, Romeu Braga Neto, o CEO da Incorporadora REV3, ressalta que a proximidade ao transporte deve ser tratada como um acelerador de vendas, mas não como uma condição obrigatória de sucesso. Segundo o executivo, o peso desse fator varia conforme o contexto, tendo maior influência na decisão em regiões centrais e menor dependência em áreas periféricas, onde preço e produto ganham mais relevância. "A estratégia deve considerar a proximidade ao metrô como um diferencial competitivo relevante, mas sempre integrada à equação de produto, preço e demanda local, fatores que, isoladamente ou em conjunto, podem compensar distâncias maiores", afirma Romeu.
Essa visão estratégica é sustentada pelos dados do estudo, que mostram que o sucesso de vendas, mesmo em distâncias superiores a 5 km das estações, depende fundamentalmente do equilíbrio entre preço, produto e demanda local. A análise detalhou lógicas distintas por região, observando que na Zona Sul, em eixos como Vila das Belezas e Chácara Santo Antônio, existe uma forte correlação entre o transporte e polos de emprego. Já na Zona Leste, em bairros como Vila Matilde e Mooca, a verticalização acelerada encontra uma forte demanda reprimida por imóveis novos próximos ao metrô.
O estudo conclui que os imóveis compactos equipados com lazer completo e serviços são a tendência dominante e o desejo do usuário final, que hoje compõem a base majoritária das vendas. Empreendimentos que oferecem diferenciais operacionais, como coworking e lavanderia, apresentam um aumento drástico na aceitação, consolidando a importância de produtos que alinhem infraestrutura de serviços à conectividade urbana.
Fonte: Portal Segs