ABRAINC NEWS

17 de fevereiro de 2025

Opinião: Trabalho + Bolsa Família: o binômio que pode mudar o Brasil

Compartilhar:

Artigo publicado no portal Metro Quadrado, do Brazil Journal, assinado por Rubens Menin, Ricardo Gontijo e Roberto Reis, ressalta a importância do programa Bolsa Família como pilar do bem-estar social brasileiro, beneficiando 54 milhões de pessoas com um investimento anual de R$ 168 bilhões. Os autores destacam a importância do programa, no entanto, apontam que a estrutura atual pode gerar dependência, desestimulando beneficiários a ingressarem no emprego formal devido ao risco de perderem o auxílio

O texto sugere uma flexibilização para o Bolsa Família, permitindo que os beneficiários trabalhem sem perder imediatamente o benefício, com uma redução gradual conforme a renda aumenta. Essa mudança poderia impulsionar setores como a construção civil, que enfrenta escassez de mão de obra, além de promover crescimento econômico, aumento da arrecadação e estabilidade inflacionária. A implementação dessa transição deve ser realizada com transparência e responsabilidade, visando equilibrar a segurança social e a mobilidade econômica.

https://cdn.abrainc.org.br/files/2025/2/68e920a8-9fd9-4398-84dc-0a27af9cfb05.webp

Leia a íntegra do artigo abaixo:

O Bolsa Família é um dos pilares do Estado de bem estar social brasileiro, impactando a vida de milhões de famílias e contribuindo para uma sociedade mais justa e igualitária. Os R$ 168 bilhões gastos anualmente beneficiam 54 milhões de pessoas em todo o País – uma rede de proteção social essencial num Brasil profundamente desigual.

O Bolsa Família garante não só o acesso a necessidades básicas – alimentação, saúde e educação – como também impulsiona a economia local e nacional.

Ao assegurar uma renda mínima, o programa permite que os beneficiados tenham vidas dignas enquanto se preparam para maior autonomia.

Dito isto, o programa tem um lado sombrio: a dependência involuntária.

Apesar de sua relevância, o Bolsa Família gerou um efeito colateral perigoso: um aprisionamento social, uma submissão indesejada, dependência e estagnação econômica de milhões de brasileiros.

A estrutura atual do programa incentiva a permanência na assistência ao criar um dilema cruel para seus beneficiários: ingressar em um emprego formal e perder 100% do auxílio, ou manter-se em um ciclo de dependência para garantir uma segurança financeira mínima. Esse modelo desestimula o crescimento econômico, empurra trabalhadores para a informalidade e contribui para a escassez de mão de obra em setores essenciais.

O Brasil precisa descobrir como fazer trabalho e Bolsa Família andarem juntos. O Presidente Lula já está ciente deste nó e buscando formas de desatá-lo. 

A flexibilização do Bolsa Família é uma discussão para já. Permitir que os beneficiários possam trabalhar sem perder imediatamente o direito ao auxílio é uma mudança que pode transformar o mercado de trabalho e a economia do País. Setores como a construção civil enfrentam uma crise de mão de obra porque muitos potenciais trabalhadores não querem perder o benefício ao aceitar um emprego formal.

Ao criar um modelo de transição no qual o benefício seja reduzido gradativamente conforme a renda cresce, o Brasil pode experimentar um salto econômico, com impacto direto na geração de empregos, no aumento da arrecadação e na estabilidade inflacionária.

Se os beneficiários puderem trabalhar sem perder imediatamente o auxílio, mais dinheiro circulará, aquecendo a economia.

A construção civil e a indústria poderão preencher vagas essenciais e voltar a operar com força total, reduzindo atrasos em obras e contribuindo para o crescimento do PIB.

Com mais trabalhadores ativos, a produção cresce, equilibrando oferta e demanda e estabilizando preços.

Diversos estudos indicam que políticas de inserção laboral contribuem com o crescimento do PIB.

Claro, não basta simplesmente aprovar a medida e esperar que tudo se resolva. É fundamental executá-la com transparência e responsabilidade, em vez de tratá-la como uma jogada eleitoreira.

A transição deveria ser gradual. O benefício deve ser reduzido de forma progressiva à medida que o trabalhador ganhe estabilidade no mercado formal.

A flexibilização do Bolsa Família é um aprimoramento essencial para que ele cumpra sua missão de maneira mais eficaz. Não podemos mais ignorar a realidade: milhares de beneficiários já estão buscando renda extra na informalidade.

O Brasil precisa de uma solução que equilibre segurança social e mobilidade econômica. A pergunta não é se devemos mudar, mas como e quando o faremos.

Rubens Menin é chairman da MRV&Co.

Ricardo Gontijo é chairman da Direcional Engenharia.

Roberto Reis é publicitário e consultor político.

Texto publicado no Metro Quadrado - Brazil Journal

Compartilhar:

Notícias relacionadas

9 de junho de 2026

ABRAINC apoia manifesto em defesa da PEC 12 do Trabalho Flexível

Entidade se junta a organizações que representam mais de 40 milhões de empregos no Brasil em apoio à modernização das relações de trabalho

<

Categoria:
29 de maio de 2026

Novas restrições no Campo de Marte podem gerar prejuízo de R$ 25 bilhões para São Paulo em dez anos

Estudo da ABRAINC em parceria com o Secovi aponta que mudanças na operação do aeroporto impactam 90% da produção imobi

Categoria:
28 de maio de 2026

ABRAINC participa de audiência pública no STJ sobre solução extrajudicial em ações de consumo

Tema 1396 discute se consumidores devem comprovar tentativa prévia de solução antes de ingressar com ação judicial

Categoria:
26 de maio de 2026

ABRAINC defende transição mínima de 60 meses para mudanças na escala 6x1

O presidente da ABRAINC, Luiz França, concedeu entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (25/05) sobre os possíveis impactos da proposta de fim da escala 6x1 para o setor de incorporação imobiliária.

Na aval

Categoria: