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Presidente da ABRAINC é o convidado do oitavo episódio do Itatiaia Negócios Cast
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Luiz França comanda a Associação Brasileira de
Incorporadoras Imobiliárias e falou sobre os desafios estruturais do setor
No oitavo episódio do Itatiaia Negócios Cast, Leonardo Bortoletto
recebe Luiz França, presidente da ABRAINC (Associação Brasileira
de Incorporadoras Imobiliárias), para uma conversa sobre o déficit habitacional
brasileiro, crédito imobiliário, planejamento urbano e os
desafios estruturais do setor.
Logo no início da entrevista, França dimensiona o tamanho do problema
habitacional no país. "O Brasil tem hoje um déficit de cerca de 6 milhões
de moradias. E, nos próximos dez anos, ainda vai precisar construir mais 11
milhões de casas", afirmou.
Segundo ele, não se trata apenas de crescimento populacional, mas de uma dívida
histórica com a população de baixa renda. "Grande parte desse déficit está
concentrada em famílias que dependem diretamente de políticas públicas e de
crédito subsidiado para conseguir uma moradia digna", explicou.
Ao falar sobre habitação popular, França foi categórico ao destacar o papel do
crédito. "Sem crédito, não existe habitação popular. O Minha Casa
Minha Vida é fundamental porque permite que a prestação caiba no bolso do
trabalhador", disse.
O presidente da ABRAINC também chamou atenção para o impacto dos
juros altos sobre o setor imobiliário e a economia como um todo.
"O crédito imobiliário no Brasil é caro. Enquanto a taxa de
juros permanecer elevada, o crescimento será limitado e o acesso à casa própria
ficará restrito", avaliou.
Para ele, a solução passa necessariamente pelo ajuste fiscal. "O governo
precisa gastar menos. Isso é básico. Qualquer família faz isso quando aperta o
orçamento. O Estado precisa fazer o mesmo para que a taxa de juros caia",
afirmou.
Outro tema central da entrevista foi o planejamento das cidades. França
defendeu modelos urbanos mais adensados e conectados aos eixos de transporte.
"Construir perto do transporte público reduz deslocamentos, melhora a
qualidade de vida e diminui a emissão de CO2. O adensamento bem
planejado é positivo", destacou.
Ao comentar a situação dos centros urbanos, ele apontou o retrofit como caminho
estratégico. "Nós temos prédios antigos, comerciais e ociosos, que podem
ser transformados em moradia. Isso traz vida para o centro e aproveita a
infraestrutura existente", disse.
Na Pergunta de Ouro da audiência, França respondeu se ainda faz sentido sonhar
com a casa própria em um cenário de juros altos. "Para a baixa renda, faz
sentido sim, por causa do crédito subsidiado. Para o médio padrão, é preciso
fazer conta. O imóvel no Brasil ainda está barato em comparação
internacional", afirmou.
Segundo ele, o comprador precisa olhar o longo prazo. "O juro pode cair no
futuro, e o crédito imobiliário permite portabilidade. Já o imóvel
tende a se valorizar. Essa equação precisa ser analisada com calma",
explicou.
Encerrando o episódio, Luiz França deixou um recado direto para
investidores e incorporadores. "O mercado imobiliário é técnico. Quem não
faz leitura de demanda, renda e tipologia corre risco. Decisão precisa ser
baseada em dados, não em narrativa", concluiu.
O episódio reforça o papel do Itatiaia Negócios Cast como espaço de debate
qualificado sobre temas estruturais da economia brasileira, conectando mercado,
políticas públicas e decisões que impactam diretamente a vida das pessoas.
Fonte:
Confira a íntegra do episódio abaixo!
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