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17 de abril de 2023

Mobilidade inteligente avança no Brasil e no mundo

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Mobilidade inteligente envolve a utilização de modos de transporte alternativos ou complementares para melhorar a eficiência das cidades

Em até nove anos, 90% da população brasileira estará concentrada em áreas urbanas, de acordo com dados da Liga Insights. Consequentemente, as cidades precisam ser feitas de maneira inteligente e eficaz para acomodar o aumento populacional e diminuir o impacto ambiental. A mobilidade inteligente, especialmente nos grandes centros urbanos, é uma resposta a essa necessidade, graças aos avanços tecnológicos e iniciativas governamentais.

Desde 2021, por exemplo, uma importante medida tem sido implementada na cidade de São Paulo (SP) para incentivar a adoção de carros elétricos: todos os novos prédios passaram a dispor de sistemas de recarga.

A mudança é estratégica na medida em que o mercado de carros elétricos avança no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o setor vem alcançando marcos históricos com a venda de carros elétricos.

Paralelamente, os serviços de compartilhamento de transporte e uso de transportes sustentáveis têm tido um grande sucesso nos últimos anos. Ou seja, há uma onda disruptiva chegando aos diferentes sistemas de mobilidade urbana.

O que é mobilidade inteligente?

A mobilidade inteligente é uma resposta aos desafios enfrentados pelas grandes cidades, como o trânsito caótico, a falta de acessibilidade para pedestres e ciclistas e os impactos ambientais gerados pelo uso excessivo de veículos poluentes. A medida envolve uma série de soluções que visam tornar a experiência de locomoção mais eficiente e agradável, independentemente do meio de transporte utilizado.

Entre as propostas da mobilidade inteligente estão a implementação de tecnologias que facilitem a gestão de frotas, a criação de veículos guiados por dados, a construção de territórios mais acessíveis para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além da redução das poluições sonora e do ar. Tudo para tornar os deslocamentos mais sustentáveis, econômicos e seguros.

Os veículos guiados por dados são uma das principais apostas da mobilidade inteligente. Eles são capazes de se locomover de forma autônoma, sem a necessidade de um motorista humano. Isso pode trazer inúmeros benefícios, como a redução de acidentes de trânsito causados por erro humano, além de tornar o transporte mais eficiente.

Os carros elétricos também são uma opção cada vez mais popular para a mobilidade inteligente, já que são menos poluentes e mais econômicos.

Quais os objetivos da mobilidade inteligente?

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A mobilidade urbana inteligente tem como objetivos principais melhorar a qualidade de vida das pessoas nas cidades, reduzir o congestionamento do tráfego, aumentar a segurança no trânsito, promover a acessibilidade e inclusão social, além de reduzir a poluição e as emissões de gases de efeito estufa.

Esses objetivos são alcançados por meio da implementação de soluções inovadoras, tais como o uso de veículos elétricos, compartilhamento de veículos, uso de aplicativos para transporte e compartilhamento de informações em tempo real sobre o tráfego e as condições das estradas.

O desenvolvimento econômico das cidades também está entre seus objetivos, uma vez que a melhoria da mobilidade pode aumentar a produtividade das pessoas e das empresas, além de atrair mais investimentos e contribuir para o bem-estar dos moradores.

Como a mobilidade inteligente aparece nas cidades?

A mobilidade inteligente não apresenta uma única solução. Exemplos reais incluem as cidades antigas da Europa que não têm espaço para expansão e implementam várias soluções para diminuir a quantidade de veículos nas ruas, até a cidade de São Paulo aumentando a implementação de postos de recarga para carros elétricos.

1. Carros elétricos compartilhados em Brasília

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Foto: Reprodução/ Agência Brasília – Renato Alves

Desde 2019, Brasília conta com carros elétricos compartilhados para atender os servidores públicos locais, graças à iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O projeto chama-se “Vem DF” e utiliza o software MoVe de compartilhamento, desenvolvido com foco no uso governamental.

O software é responsável pelo compartilhamento de carros elétricos, permitindo a reserva dos veículos disponíveis e o monitoramento de sua localização. Através do aplicativo, é possível rastrear o automóvel, acompanhar a velocidade, o nível de carga da bateria, as rotas percorridas e outras informações relevantes. O acesso aos carros acontece através de cartões fornecidos aos usuários cadastrados no sistema.

Além dos carros elétricos, a medida incluiu a implantação de 35 eletropostos para recarga, capazes de abastecer dois automóveis simultaneamente. Esses pontos de recarga estão disponíveis para a população em geral.

2. Carros elétricos e ciclovias em São Paulo

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Na medida em que os carros elétricos aumentam em número, também cresce a oferta de postos de carregamento públicos e semipúblicos no País. Na cidade de São Paulo, de acordo com os mais recentes dados da Elev, empresa que traz soluções para o ecossistema de carros elétricos, teve um aumento de 11,25% entre junho e agosto de 2022, totalizando 445 carregadores. 

Aliás, já é comum que condomínios da capital paulista invistam nesse setor, uma vez que a lei municipal exige pontos de recarga para carros elétricos e híbridos plug-in, em conformidade com as normas técnicas brasileiras. 

São Paulo também detém o título de maior malha cicloviária, com 681 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Em 2021, registrou-se a marca de 1,6 bilhão de bicicletas na cidade, segundo o levantamento publicado pela pesquisadora Glaucia Pereira, do Instituto de Pesquisa Multiplicidade Mobilidade Urbana (IPMMU). O crescimento indica uma tendência de mais adeptos do ciclismo após a pandemia.

3. Bicicletas em Barcelona

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Não é apenas em São Paulo que as bicicletas se destacam como transporte sustentável e alternativo. Em Barcelona estima-se que duas vidas sejam salvas e que 2,5 milhões de euros sejam economizados por ano devido ao sistema de compartilhamento de bicicletas chamado Viu Bicing.

Desde 2013 a cidade com cerca de 1,6 milhão de habitantes se destaca. Dos 500 serviços de compartilhamento de bicicletas estimados no mundo, 20% estavam localizados na Espanha. Barcelona em primeiro lugar, com 6 mil unidades, e Valência e Sevilha, com 2 mil cada, embora Paris contasse com o maior sistema de compartilhamento de bicicletas da Europa, com um total de 23 mil bikes.

O sistema de Barcelona é bastante acessível aos usuários, que pagam apenas 47 euros por ano, desde que não ocorra nenhuma multa por atraso na devolução da bicicleta. Para utilizar o sistema, basta que os passem um cartão magnético na parte da frente do leitor Viu Bicing. Se a bicicleta for devolvida em até 30 minutos em outro rack, o usuário não pagará mais nada. O sistema funciona em parceria com a cidade, com racks de bicicletas espalhados por toda parte.

4. Transporte sustentável em Incheon, Coreia do Sul

Com vastas áreas disponíveis para construção, a Coreia do Sul sedia o Distrito Empresarial Songdo, em Incheon, localizado a cerca de uma hora a oeste de Seul. Construída em uma área de 1,5 mil acres de terra recuperada do Mar Amarelo, a cidade foi constituída para ser sustentável, tendo a mobilidade como principal recurso para tal.

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O distrito está investindo em uma extensa rede de ciclismo, já possui estações de carga de veículos elétricos em funcionamento, tem uma ótima conexão com os sistemas de transporte de Seul e Incheon através do metrô e seus desenvolvedores ainda prometem disponibilizar uma parada de ônibus a cada 12 minutos em cada bairro.

Mas, afinal, qual o futuro da mobilidade inteligente no Brasil?

O futuro da mobilidade inteligente no Brasil parece bastante promissor. A preocupação com o meio ambiente e a busca por soluções de transporte mais eficientes estão cada vez mais presentes na agenda das cidades brasileiras. Enquanto isso, a tecnologia e a conectividade estão avançando rapidamente, possibilitando o desenvolvimento de novas soluções de mobilidade.

Algumas das tendências mais promissoras para a mobilidade inteligente no Brasil incluem o compartilhamento de veículos elétricos. De acordo com um estudo da McKinsey & Company, até 2040, o País deverá contar com 11 milhões de veículos movidos a bateria elétrica (BEVs), representando 55% das vendas de novos veículos, 20% do parque automotivo instalado e gerando uma receita anual de US$ 65 bilhões.

Esse crescimento expressivo se baseia no aumento da conscientização ambiental dos consumidores brasileiros. Mas para que esse potencial se concretize, indica o estudo, essa consciência precisa estar alinhada a elementos estruturais e regulatórios.

Fonte: Habitability

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