A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (10/12), aprofunda os desafios para o financiamento habitacional e para o crescimento econômico do país. Com isso, o Brasil segue como segundo colocado no ranking de países com o maior juro real do mundo.
Segundo estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), o encarecimento dos juros nos últimos cinco anos excluiu cerca de 800 mil famílias do acesso ao crédito imobiliário para aquisição de imóveis de R$ 500 mil — uma redução de 50% no público elegível. Em sentido contrário, cada ponto percentual de queda da Selic permitiria incluir, em média, 160 mil novas famílias no mercado de financiamento.
Os indicadores econômicos divulgados recentemente reforçam que há espaço para uma revisão da política monetária. O IPCA de novembro mostra que a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,46%, retornando ao limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central (4,5%). O resultado também foi o menor para o mês desde 2018, evidenciando uma desaceleração persistente dos preços.
Paralelamente, os sinais de perda de fôlego da economia tornam mais urgente uma redução nos juros. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou apenas 0,1% no terceiro trimestre, enquanto o mercado de trabalho mostrou ritmo mais fraco: foram criadas 85 mil vagas formais em outubro, número inferior ao de setembro (213 mil) e ao de outubro de 2024 (131 mil). No acumulado de 12 meses até outubro de 2025, o saldo de empregos foi de 1,35 milhão, abaixo dos 1,79 milhão registrados no período anterior.
Para a ABRAINC, a combinação de inflação controlada, atividade moderada e geração de empregos em desaceleração indica um cenário propício para o início dos cortes na taxa básica de juros. A entidade destaca que a redução da Selic é fundamental para aliviar o custo do crédito, viabilizar o acesso à casa própria para milhares de famílias, estimular os setores produtivos, ampliar a criação de empregos e sustentar o crescimento econômico brasileiro.
Redação ABRAINC