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9 de abril de 2026

IA começa a reduzir custos e ganhar escala na construção civil

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Matéria do Valor Econômico destaca que empresas do setor estão utilizando a tecnologia para substituir processos manuais, melhorar o controle e reduzir o retrabalho

Na busca por aumentar eficiência e reduzir custos, a inteligência artificial e a digitalização começam a ganhar espaço entre incorporadoras como Tegra, Helbor e BRZ Empreendimentos. Na prática, as empresas têm adotado ferramentas que substituem processos manuais, melhoram o controle e reduzem retrabalho.

Uma das soluções vem da ConstruCode, negócio criado para digitalizar o fluxo de informações na construção. A empresa desenvolveu um sistema que integra dados, comunicação e controle operacional em um único fluxo atualizado em tempo real.

Para Diego Mendes, CEO da ConstruCode, o modelo tradicional do setor carrega distorções relevantes. “Hoje, cerca de 28% do valor de um imóvel está ligado a falhas operacionais e retrabalho, custos que acabam sendo repassados ao consumidor”, afirma.

Em um empreendimento de médio porte, a economia pode chegar a R$ 600 mil apenas com a redução de impressões de planta. Considerando toda a operação, o ganho pode variar entre 15% e 20% do valor total do imóvel, com impacto direto na margem das incorporadoras.

Nas empresas, a adoção da IA avança em diferentes frentes. Na Tegra Incorporadora, o uso está concentrado no suporte à engenharia, com aplicações na análise de documentos e diretrizes técnicas, na gestão de terceiros e no desenvolvimento de projetos. Segundo a companhia, a tecnologia tem contribuído para maior agilidade nas análises, padronização de processos e redução de atividades operacionais, liberando as equipes para funções mais estratégicas.

“A adoção de IA demonstrou uma redução de atividades operacionais manuais, permitindo que as equipes foquem em tarefas mais estratégicas”, disse Marcio Dias Afonso, diretor de obra da Tegra.

Na Helbor, a IA é utilizada na consulta de dados e no desenvolvimento de projetos, além de apoiar estudos de mercado e comportamento do cliente. A tecnologia também é aplicada na área comercial, auxiliando na análise da experiência do consumidor. Para a companhia, a tecnologia se tornou uma aliada na adaptação a um mercado que passa a demandar não apenas moradia, mas experiências mais completas. “A Helbor está alinhada com a nova compreensão do mercado imobiliário, nesse contexto, a inteligência artificial tem um papel importante nessa mudança de comportamento”, afirmou Fabiana Lex, diretora de Produto da Helbor Empreendimentos.

Já na BRZ Empreendimentos, executivos destacam o desenvolvimento interno. Há cerca de um ano, a empresa lançou o Kintú, uma IA corporativa própria. A solução é utilizada em áreas como RH, comercial, financeiro e contabilidade, além do atendimento a clientes via WhatsApp.

Segundo a companhia, o uso da tecnologia já gerou economia de cerca de R$ 1,3 milhão por ano em licenças de ferramentas de mercado. Em projetos internos, a IA também permitiu reduzir mais de 40% da carga operacional de áreas administrativas, eliminar cerca de 5 mil horas anuais de trabalho e diminuir em até 68% o tempo de fechamento contábil. A empresa estima ainda potencial de ampliar em até 30% o volume de obras sem aumento proporcional de equipe em áreas administrativas.

Apesar dos avanços, executivos avaliam que o setor ainda está em estágio inicial de maturidade no uso de IA. “Ainda há uma diferença relevante entre testar soluções e incorporá-las de forma consistente aos processos centrais do negócio”, diz Francis Navarro, CTO da BRZ. Na mesma linha, a Tegra afirma que o uso ainda é “pontual e pouco integrado”, limitado pela baixa maturidade dos dados.

A avaliação é que a tecnologia tende a aumentar a diferença entre empresas mais e menos eficientes. “O próximo ciclo do setor deve separar quem apenas experimenta de quem efetivamente reduz custo com eficiência operacional”, afirma o executivo da BRZ.

Nesse cenário, para o CEO da ConstruCode, a IA deve se consolidar como alavanca de margem e competitividade, ao combinar redução de custos, ganho de produtividade e maior previsibilidade, ainda que sua adoção em escala dependa de avanços em integração de dados e mudança cultural no setor.

Fonte: Valor Econômico

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