ABRAINC NEWS

13 de março de 2023

Entidades pedem que BC reduza compulsório para liberar R$ 38 bi para crédito imobiliário

Compartilhar:

A ABRAINC, o Secovi-SP e o SindusCon-SP encaminharam ao Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (BC) uma proposta de redução de 5% no compulsório bancário. O objetivo é direcionar esse dinheiro para abastecer os financiamentos de imóveis e incentivar uma possível redução das taxas de juros.

A medida, se confirmada, representaria a injeção de R$ 38 bilhões em recursos no mercado imobiliário, afirmou o presidente ABRAINC, Luiz França, em entrevista ao Broadcast. "Com isso, a pressão sobre a taxa não existiria mais, pois haveria funding disponível aos bancos para fazerem o mesmo volume de financiamentos do ano passado", afirmou.

Por trás dessa movimentação está a preocupação com a alta dos juros do crédito imobiliário. A taxa média de juros do financiamento habitacional chegou à faixa dos dois dígitos no segundo semestre do ano passado - algo que não se via desde 2016 - e segue ganhando corpo neste ano. Em fevereiro, os bancos privados promoveram nova rodada de elevação das taxas.

Dados do Banco Central mostram que essa taxa bateu a marca de 10,74% ao ano em janeiro. O patamar é consideravelmente maior do que nos mesmos meses de 2022 e 2021, quando estavam em 9,41% e 6,98%, respectivamente.

Uma das razões para essa elevação é o encarecimento das fontes de recursos que os bancos usam para conceder empréstimos. A mais comum é a poupança, que tem vivido uma onda de saques. Desde o ano passado, a caderneta já perdeu R$ 100 bilhões. Paralelamente, o setor vem de dois anos de demanda aquecida.

Para não deixar de emprestar, os bancos passaram a buscar dinheiro em outras fontes do setor imobiliário, como as letras (LCI e LIG) e os certificados de recebíveis (CRI). No entanto, o custo de captação é mais alto para os bancos, que vêm subindo a taxa aos consumidores para compensar.

Pelas regras do BC, 65% dos recursos da caderneta vão para os financiamentos imobiliários, enquanto 20% são guardados como colchão de liquidez na forma de depósitos compulsórios, e os 15% são de uso livre pelas instituições.

Os financiamentos foram recordes em 2021 (R$ 205 bilhões) e tiveram a segunda melhor marca da história em 2022 (R$ 179 bilhões). Já para este ano, a projeção é de ficar na faixa de R$ 156 bilhões, de acordo com projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

"Com a liberação desses R$ 38 bilhões, os bancos vão ter funding para atingir o mesmo volume de financiamentos do ano passado. Tem uma desoneração do funding. Pela lógica, os bancos deveriam voltar a ter a mesma taxa do ano passado", disse França.

Um detalhe da proposta é que essa flexibilização do compulsório seja usada para financiar somente imóveis novos, deixando de fora os usados. "É nos imóveis novos que está a geração de empregos e se movimenta a economia", afirmou. Segundo França, os R$ 38 bilhões poderiam se traduzir em 160 mil apartamentos, 900 mil empregos e R$ 10 bilhões em impostos. A proposta da ABRAINC foi entregue semana passada ao BC, que ficou de avaliar.

França afirmou que as vendas de imóveis estão normais neste começo de ano. "Até dois dígitos, a taxa é suportável e a gente tem demanda". A ABRAINC divulgará seu balanço anual de vendas na próxima semana. O dado mais recente da associação mostra que no trimestre móvel encerrado em novembro (dados acumulados de setembro, outubro e novembro) de 2022, os lançamentos recuaram 9,1% na comparação com o mesmo período de 2021, ficando em 40.757 unidades. Por sua vez, as vendas líquidas cresceram 13,3%, para 33.435 unidades.

Os números têm como base os resultados de 18 das maiores incorporadoras do País, associadas à ABRAINC, com atuação em diversos Estados, embora mais concentradas na Região Sudeste.

Fonte: matéria publicada no Broadcast+

Compartilhar:

Notícias relacionadas

11 de março de 2026

Setor produtivo alerta para impactos da redução da jornada de trabalho em vídeo

Material assinado por mais de 125 entidades aponta que proposta pode elevar custos da construção e dificultar o acesso à casa própria

Categoria:
10 de março de 2026

Editorial: Redução da jornada de trabalho e os impactos negativos para a sociedade

A redução abrupta da jornada, sem ganho de produtividade, ameaça emprego, competitividade e o acesso à moradia

Saiba mais

9 de março de 2026

Mulheres à Obra 2026: setor da construção como aliado no combate à violência contra a mulher

Diante do avanço de casos de feminicídio no país, a quinta edição da campanha convida o setor a refletir sobre como contribuir para o enfrentamento à essa questão, r

Categoria:
25 de fevereiro de 2026

Estudo da ABRAINC sobre impactos do fim da escala 6x1 nos preços dos imóveis novos é destaque na imprensa


Categoria: