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De mansões a experiências: como o mercado imobiliário de luxo está sendo reinventado
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Foto: Getty Images
Matéria do O Globo destaca o avanço das branded residences no mercado imobiliário de alto padrão, com a entrada de marcas globais em projetos que associam moradia, design, serviços e experiência.
O mercado imobiliário de luxo atravessa uma mudança estrutural
que redefine não apenas a forma de construir e vender imóveis, mas sobretudo o
próprio significado de morar. Se antes o setor era guiado por atributos como
metragem, localização privilegiada e ostentação, hoje a lógica se desloca para
outro território: o da experiência, da identidade e da integração a universos
de marca globais.
Nesse movimento, o investidor brasileiro aparece cada vez
mais conectado a um circuito internacional de ativos imobiliários, com presença
crescente em empreendimentos fora do país e interesse por projetos associados a
grandes grifes de moda, hospitalidade e design. O fenômeno dialoga com um
estilo de vida mais globalizado, em que a casa deixa de ser apenas patrimônio e
passa a funcionar como extensão de repertório e posicionamento. Não por acaso,
nomes como Anitta, Bruna Marquezine, Gusttavo Lima e Deborah
Secco aparecem entre os brasileiros com imóveis no exterior, em um recorte
que também reflete a internacionalização do consumo de luxo.
Para a corretora de imóveis de alto padrão Michele Balsamão,
esse deslocamento está diretamente ligado à consolidação das chamadas branded
residences — empreendimentos assinados por marcas globais que levam para o
mercado imobiliário códigos da moda, da hotelaria e do design."O imóvel
deixou de ser apenas patrimônio físico. Ele passou a representar
pertencimento", afirma ao GLOBO. Segundo ela, esse é um dos segmentos mais
valorizados do setor justamente por transformar a moradia em experiência
curada.
Nesse modelo, nomes tradicionais do luxo passaram a ocupar o
território imobiliário de forma mais consistente. Marcas como Armani/Casa,
Bulgari, Baccarat, Missoni, Fendi Casa, Dolce & Gabbana, além de nomes
ligados à engenharia e hospitalidade como Porsche, Bentley e Four Seasons,
passaram a assinar projetos que combinam arquitetura, serviços e lifestyle sob
uma mesma narrativa.
O avanço desse modelo também ajuda a explicar casos de grande visibilidade
internacional, como o da Porsche Design Tower, em Miami, que ganhou repercussão
global após a aquisição de uma unidade pelo jogador Lionel Messi. Mais do
que um endereço, esses empreendimentos passam a operar como símbolos de um novo
perfil de consumidor de alto padrão, que busca pertencimento a ecossistemas de
marca e serviços contínuos, e não apenas a posse de um imóvel.
No Brasil, esse movimento ganha força com a entrada de
marcas internacionais no mercado imobiliário de alto padrão. A ELLE, referência
no universo de moda e comportamento, passa a atuar no segmento de branded
residences em parceria com a incorporadora Meira Mattos. A movimentação
acompanha uma tendência global em que marcas de diferentes setores ampliam sua
presença para além de seus campos originais, atravessando o imobiliário como
extensão de identidade e posicionamento.
Os projetos Casa ELLE e ELLE Collection se inserem nesse
contexto mais amplo de transformação do setor, no qual moradia, design,
bem-estar e hospitalidade passam a ser articulados como experiências
integradas. Nesse modelo, a lógica do imóvel deixa de estar centrada apenas no
produto e se aproxima de uma construção de estilo de vida, em que a marca
funciona como referência simbólica.
Segundo Michele, trata-se de uma mudança de estágio no
mercado de luxo, em que a presença de uma marca não se limita a um selo
associado ao empreendimento, mas influencia a forma como o próprio viver é
concebido e organizado.
Há ainda um aspecto de reposicionamento relevante: embora a
ELLE já tenha participado de iniciativas residenciais em outros mercados, a
atuação no Brasil ocorre em um momento de expansão desse tipo de projeto, com
maior presença de tipologias como casas e condomínios de alto padrão dentro do
universo das branded residences.
Michele também participa da comercialização do
empreendimento, atuando na intermediação de ativos ligados a esse novo ciclo do
luxo internacional.
"Mais do que vender imóveis, meu trabalho está voltado
à curadoria de ativos com força de marca e potencial de preservação de valor no
longo prazo", diz. Para ela, o investidor brasileiro amadureceu e passou a
considerar critérios que vão além do produto em si, como liquidez
internacional, força simbólica e conexão com marcas de alcance global.
O movimento encontra paralelo em iniciativas de grupos como
a JHSF, que expandiu sua atuação para além da incorporação tradicional,
incorporando hotelaria, gastronomia e serviços premium em um ecossistema
integrado de luxo.
Com isso, o mercado imobiliário de alto padrão se afasta
progressivamente da lógica do excesso e se aproxima de uma gramática baseada em
experiência e curadoria. "O cliente não compra apenas metros quadrados.
Ele compra narrativa, identidade, experiência e legado", resume Michele.
Fonte: O Globo
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