ABRAINC NEWS

3 de novembro de 2023

Construtoras inovam com casas populares boas, baratas e tecnológicas

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Desafio de empresas é encontrar soluções sustentáveis para que métodos de baixo custo também garantam qualidade

A Alea, empresa de construção off-site (fora do canteiro de obra) da Construtora Tenda, entende que a melhor forma para erguer casas populares e acessíveis para o público de baixa renda é a inovação. Isso a levou a criar um método construtivo próprio (Wood Frame) no Brasil que utiliza perfis de madeira para obras rápidas e sustentáveis. “A Alea não utiliza aço nos radiers [fundação rasa que se assemelha à placa ou laje, construída sobre o solo e abaixo da obra], apenas concreto com fibra, que garante diminuição de custos”, explica Luis Martini, COO de empresa.

De acordo com ele, trata-se de um produto acessível para pessoas, por exemplo, das faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), já que é feito por meio de uma tecnologia inovadora desenvolvida pela empresa em escala industrial, que entrega maior conforto térmico e acústico aos usuários, além de ser sustentável. Para isso, explica Martini, a empresa utiliza madeira de reflorestamento como material estrutural, que possui pegada de carbono negativa, “sequestra” CO2 do ar para crescer e o estoca dentro das paredes da casa.

Além de ser mais sustentável, segundo Martini, a tecnologia Wood Frame promove “maior conforto térmico, menor consumo de energia e mais qualidade de vida para os clientes”. Dessa forma, acrescenta o executivo, a companhia utiliza tecnologia de ponta para famílias de baixa renda e oferece um produto com qualidade superior quando comparado aos que estão no mercado.

Martini informa que a fábrica desse produto da Alea em Jaguariúna (SP) tem capacidade de produzir uma unidade a cada 36 minutos, o equivalente a dez mil casas por ano. Quando transportadas para as obras, cada casa pré-montada (paredes e telhados) pode ser executada e erguida em até duas horas, ficando pendentes apenas os detalhes de acabamento da obra para o canteiro.

Segundo o executivo, todos os projetos do conceito de moradia de Alea têm tido uma venda sobre oferta (VSO) média de 56% por trimestre. Esse indicador mede o percentual da oferta vendida no mês de referência da pesquisa. Ou seja, é a relação em unidades das vendas líquidas no período sobre a oferta inicial mais os lançamentos do período. “A empresa já entregou, até o momento, mais de mil casas, e a expectativa é lançar até duas mil unidades ainda em 2023, feitas e entregues por um time de mais de 300 pessoas”, informa Martini.

Já a C.A.C. Engenharia, com foco nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, concentrou seu método em paredes de concreto moldadas no local para a construção de edificações com base na NBR 16055/2022 (norma brasileira da Associação Brasileira de Normas Técnicas), cuja revisão abriu uma gama maior de possibilidades de aplicação do sistema construtivo.

“Os setores e as padronizações dos processos e produtos nos permitem uma produção em larga escala e uma montagem mais rápida no canteiro de obras, o que aumenta a capacidade de produção e melhora a qualidade do produto”, diz Cristiano Coluccini, CEO da construtora.

Na questão de sustentabilidade, o executivo informa que a companhia utiliza indicadores ambientais com o objetivo de controlar rigorosamente o consumo de água e de energia, além de verificações dos resíduos no canteiro de suas obras com separação e coleta seletiva. “Nos nossos novos empreendimentos, estamos destinando áreas exclusivas de reúso de águas pluviais e a plantação de árvores frutíferas”, explica Coluccini.

Ele lembra que a adoção de novos procedimentos e o uso de inteligência artificial para o controle de qualidade de suas obras, além de definição de padrões de segurança e treinamento, permitiram redução de custos, aumento de produtividade e maior conhecimento e reconhecimento de seus clientes.

O grupo ADN, cujas operações abrangem praticamente todo o interior de São Paulo, aponta que, num momento em que se vem verificando um aumento considerável nos custos do metro quadrado de área construída, a solução passa pelo aumento da eficiência construtiva, pela tecnologia e pela transformação do canteiro de obra em linhas de montagem, com peças e partes do imóvel sendo produzidas off-site.

“Para isso, precisamos pesquisar e desenvolver materiais mais baratos e duráveis, ter um planejamento de obra mais eficiente e ter uma venda planejada e condições de pagamento que casem com o tempo de obra”, explica Kamila Kotsubo, líder de sustentabilidade e inovação do grupo ADN. Na sua avaliação, esse é um dos principais e maiores desafios da indústria da construção, que busca como criar um modelo mais rentável e escalável.

“Vemos algumas empresas com avanços importantes nesse campo, novas fábricas sendo montadas e a própria Caixa Econômica Federal embarcando novos métodos construtivos no programa Minha Casa, Minha Vida”, diz Kotsubo. Ela explica que a empresa conta com um setor dedicado a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) focado em estudar o que há de mais inovador no mercado: novos métodos construtivos, novos materiais e novas formas de planejar e gerir.

“O monitoramento tecnológico é constante, além da inovação aberta. Nosso time de PD&I fica fisicamente inserido em um centro de inovação tecnológico, onde estão informações de empresas que oferecem soluções e startups com novas ideias que surgem todos os dias”, explica a executiva.

Para ela, essa relação com o ecossistema é fundamental na busca por soluções para minimizar custos e aumentar a qualidade dos produtos. Segundo Kotsubo, a empresa mantém contato constante com startups, avalia as novas ideias por meio de provas, testa e as implementa. “A inovação aberta é, sem dúvida, um ótimo caminho para inovarmos no setor da construção civil”, diz.

Na área de controle de geração de resíduos, a empresa trabalha com logística reversa e soluções coletivas para minimizar impactos ambientais. Na parte de energia, a ADN está finalizando a implementação de fonte 100% renovável (eólica e solar) em suas obras.

Fonte: Valor Econômico

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