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1 de abril de 2025

Concreto feito com adição de borra de café pode ser até 30% mais resistente

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Matéria de VEJA repercute pesquisa que indica que substituição parcial da areia por biocarvão de café melhora o desempenho estrutural e reduz danos ao meio ambiente

Durante anos, a borra de café foi apenas mais um resíduo inevitável de uma das bebidas mais consumidas do mundo. Agora, pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, descobriram uma aplicação surpreendente para esse material: ao ser transformada em biocarvão e misturada ao cimento, a borra pode gerar um concreto até 30% mais resistente. Os resultados foram publicados no Journal of Cleaner Production.

A técnica consiste em aquecer a borra a mais de 350 °C em um ambiente com pouco ou nenhum oxigênio — processo conhecido como pirólise. Esse tratamento transforma o resíduo em um biocarvão poroso e rico em carbono, que se integra à matriz do cimento e melhora significativamente a estrutura do concreto. Os testes indicaram que a temperatura ideal para obter esse efeito é justamente 350 °C: em experimentos com temperaturas mais altas, o material perdeu desempenho.

O mundo gera cerca de 10 bilhões de quilos de borra de café por ano, e a maior parte desse volume acaba em aterros sanitários, onde contribui para a emissão de gases como metano e dióxido de carbono. Ao mesmo tempo, a construção civil consome volumes cada vez maiores de areia, extraída de leitos de rios e bancos naturais, o que provoca sérios danos ambientais.

A substituição parcial da areia por biocarvão oferece uma solução com potencial duplo: reaproveitar resíduos e preservar recursos naturais. O estudo ainda aponta que a adoção dessa técnica poderia ter impacto relevante em países com mercado imobiliário aquecido e grande consumo de cimento.

A técnica já pode ser usada na construção civil?

Apesar do desempenho promissor, o concreto feito com borra de café ainda está em fase de testes. Os pesquisadores agora investigam como esse material híbrido se comporta diante de condições adversas, como ciclos de congelamento e degelo, abrasão, absorção de água e variações climáticas. Eles também avaliam a possibilidade de produzir biocarvões a partir de outros tipos de resíduos, como madeira, sobras agrícolas e restos de alimentos.

Fonte: VEJA

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