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Concreto do futuro vem de Roma Antiga
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Mistura de cal e água salina nas construções romanas pode ser caminho para concreto do futuro, mais durável e resiliente a rachaduras
Uma construção que consegue se regenerar e durar séculos, e ainda utiliza materiais locais. Combinados, esses fatores trariam uma edificação sustentável, o que mostra que o concreto do futuro terá que replicar esses modelos. Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) descobriram que tal produto inovador já existiu e foi muito usado, pelos antigos romanos.
Em busca de soluções para se levantar prédios com alta durabilidade, cientistas norte-americanos se voltaram literalmente para o Panteão, em Roma, prédio que não tem nada mais, nada menos do que 1.898 anos. O que se descobriu foi que o material usado para colocar tal construção em pé era um tipo de concreto “turbinado” com rocha vulcânica, cinzas vulcânicas, cal e água.
“O Panteão não existiria sem o concreto como era na época romana. Eles sabiam que o concreto era um ótimo material mas, provavelmente, desconheciam que duraria milhares de anos”, disse Admir Masic, professor de engenharia civil e ambiental do MIT, em fala publicada no jornal britânico The Guardian.
Erro intencional dos romanos
Além dos componentes, as técnicas ajudam a entender porque o concreto romano resistiu por tanto tempo. Analisados em laboratório, partes do Panteão contêm clastos de cal, um tipo de “conglomerado” em forma de pedra branca, algo que não pode ser encontrado em estruturas modernas.
O que se acreditava era que tais pedras surgiam por uma mistura errada e rudimentar da argamassa. Os pesquisadores mostraram, no entanto, que era intencional. “Os estudiosos escreveram receitas precisas e as impuseram nos canteiros de obras (em todo o Império Romano)”, acrescentou Masic, como publicado pela CNN.
Isso porque os clastos de cal têm formatos diferentes, que tendem a surgir em condições onde a água não está disponível de forma livre. Os engenheiros antigos usavam a forma seca e mais reativa do calcário, a cal viva. Tal mistura desencadeia reações químicas, causando temperaturas extremas e criando os depósitos de cálcio.
Os depósitos também serviram a um propósito, descobriram os pesquisadores. Eles teorizaram que, à medida que a água entrava nas rachaduras do concreto, ela poderia dissolver os pedaços de cálcio. Então, os produtos químicos dissolvidos podem recristalizar ou reagir com outros materiais, preenchendo as rachaduras e fortalecendo a estrutura.
Em outras palavras, o concreto consegue se regenerar sozinho.
Concreto do futuro com pé no passado
A equipe de pesquisadores fez concreto usando uma fórmula romana e uma moderna. Eles então quebraram o concreto e deixaram a água passar por ele, por 30 dias. Depois disso, o concreto moderno ainda deixou a água passar, mas a versão romana não, sugerindo que as rachaduras foram preenchidas.
Masic disse que a abordagem romana pode ser útil na construção moderna. “Abordagens de inspiração romana, baseadas, por exemplo, em mistura a quente, podem ser uma maneira econômica de fazer nossa infraestrutura durar mais, por meio dos mecanismos de autocorreção, que ilustramos neste estudo”, disse ele.
Fonte: Habitability
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