ABRAINC NEWS

16 de agosto de 2019

CMN libera IPCA no crédito imobiliário, e Caixa prepara lançamento

Compartilhar:

SÃO PAULO - O Conselho Monetário Nacional (CMN) deu o passo que faltava para o lançamento de linhas de crédito imobiliário corrigidas por índice de preços em operações feitas no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) - aquelas em que o comprador pode usar dinheiro da sua conta do FGTS para pagar a dívida.

O anúncio não foi feito pelo CMN, como é praxe, mas pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães em entrevista a jornalistas no início da noite desta quinta-feira. O executivo pretende lançar produtos nessa modalidade na próxima semana. Em seguida, o presidente Jair Bolsonaro disse que, na terça-feira, a Caixa vai anunciar novidades que vão “revolucionar” o mercado de crédito imobiliário. O Banco Central acabou anunciando a medida no fim da noite.

As linhas que a Caixa vai lançar serão mais baratas que as já oferecidas pelo banco, indexadas pela TR. As taxas ainda não são públicas, mas a expectativa é que fiquem em IPCA mais uma banda que deve oscilar entre 2% e 5% ou algo perto disso. O percentual será menor quanto melhor for o perfil de crédito do tomador e maior for o relacionamento com o banco. Hoje, a modalidade mais barata da Caixa sai por TR mais 8,5% ao ano.

As linhas baseadas na TR serão mantidas. O cliente poderá escolher o indexador e o sistema de amortização: serão oferecidos tanto o SAC, de amortizações constante) quando a tabela Price, com parcelas fixas.

Hoje, já existe liberdade de indexador para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que abrange imóveis acima de R$ 1,5 milhão. Por isso, o anúncio da liberação de índice de preço para o SFH é importante por abranger um mercado muito maior, e que, agora, poderá ter acesso a taxas mais baixas.

A outra, não menos relevante, é que a medida tem potencial para provocar uma mudança na estrutura de funding do mercado imobiliário brasileiro, hoje dependente dos recursos da poupança e do FGTS (no caso da habitação popular).

Com a indexação pelo IPCA, será possível securitizar e empacotar em CRIs as operações de financiamento habitacional, abrindo mais um bolsão de recursos para o setor num momento em que as fontes atuais de funding começam a dar sinais de esgotamento.

"A alteração promovida pelo CMN é mais um passo para tornar o mercado imobiliário menos dependente dos recursos dos depósitos de poupança e do FGTS, permitindo a contratação deprações e podem servir de lastro de instrumentos negociados no mercado de capitais, como os certificados de recebíveis imobiliários e as letras imobiliárias garantidas", afirmou o BC em comunicado.

Guimarães já disse que a Caixa pretende securitizar créditos imobiliários, dando giro maior à sua carteira. Por meio de CRIs, fintechs poderão também entrar na disputa pelo mercado imobiliário, pois o custo de capital de carregar uma operação no balanço por 30 anos deixa de existir.

O que não está claro até agora é o interesse dos grandes bancos privados, que trabalham com funding da poupança. Todos dizem que vão oferecer o IPCA, mas nenhum demonstra grande polgação ainda.

Também é preciso saber qual a receptividade dos consumidores num país com grande memória inflacionara. Na Caixa, a percepção é que haverá demanda, até porque a TR, embora esteja zerada três anos, também tem relação com a inflação.

 

Fonte: Valor Econômico

Compartilhar:

Notícias relacionadas

11 de março de 2026

Setor produtivo alerta para impactos da redução da jornada de trabalho em vídeo

Material assinado por mais de 125 entidades aponta que proposta pode elevar custos da construção e dificultar o acesso à casa própria

Categoria:
10 de março de 2026

Editorial: Redução da jornada de trabalho e os impactos negativos para a sociedade

A redução abrupta da jornada, sem ganho de produtividade, ameaça emprego, competitividade e o acesso à moradia

Saiba mais

9 de março de 2026

Mulheres à Obra 2026: setor da construção como aliado no combate à violência contra a mulher

Diante do avanço de casos de feminicídio no país, a quinta edição da campanha convida o setor a refletir sobre como contribuir para o enfrentamento à essa questão, r

Categoria:
25 de fevereiro de 2026

Estudo da ABRAINC sobre impactos do fim da escala 6x1 nos preços dos imóveis novos é destaque na imprensa


Categoria: