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9 de dezembro de 2024

Cimento ‘verde’ e mais resistente é criado por cientistas brasileiros

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Material é feito a partir de resíduos de indústrias siderúrgicas do Ceará, como cinzas da queima de carvão e subproduto da fabricação de aço

Pesquisadores do Ceará criaram um cimento mais resistente, econômico e que ajuda a diminuir a emissão de gases de efeito estufa. De acordo com a Universidade Federal do Ceará (UFC), mais de 90% dos materiais usados na fabricação do produto vêm de resíduos das indústrias siderúrgicas do Estado.

Além disso, a reciclagem de resíduos é uma boa estratégia para contribuir com a economia circular, como explica o professor Lucas Babadopulos, um dos inventores da patente. “Uma vez que os materiais utilizados para produção do cimento geopolimérico são resíduos industriais de baixo valor agregado, o cimento produzido a partir desse material tende a ser economicamente competitivo no futuro, desde que haja escala de produção industrial”, afirma.

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Pesquisa de Cimento Verde desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará. Foto: Guilherme Silva/Agência UFC

A fórmula do ‘ecocimento’ foi desenvolvida nos laboratórios do Departamento de Engenharia Estrutural e Construção Civil da Universidade Federal do Ceará (UFC) e recebeu, em março deste ano, a carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O ecocimento é produzido a partir de resíduos industriais, como escórias de aciaria – um subproduto da fabricação de aço – e cinzas volantes, que resultam da queima de carvão nas termelétricas.

Babadopulos esclarece que “o que foi tratado como ‘cimento verde’ é o que se chama na literatura acadêmica de ligante álcali-ativado, algumas vezes também referido como geopolímero.”

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'Cimento verde' já recebeu a carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Foto: Guilherme Silva/Agência UFC

Resíduos locais

Outra inovação central da patente está no uso de resíduos locais específicos, como a escória de aciaria do tipo BSSF, em vez da tradicional escória BOF. “A diversidade de soluções locais é uma das principais justificativas para a patente. A proporção de ingredientes adequada, também coberta pela patente, é essencial para o desempenho do material,” explica.

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Ecocimento é produzido a partir de resíduos industriais, como escórias de aciaria e cinzas da queima de carvão. Foto: Guilherme Silva/Agência UFC

No Brasil, apesar da produção em larga escala ainda estar incipiente, já há interesse de empresas do setor. Projetos como o desenvolvimento de blocos intertravados com concreto geopolimérico, utilizando agregados de resíduos industriais, mostraram resultados promissores, conforme apresentado na dissertação de Madson Lucas de Souza, recentemente defendida na UFC.

Quanto à resistência e durabilidade, Babadopulos pontua que “dependendo da aplicação e da receita usada para fabricação, o concreto geopolimérico pode ter resistências iguais ou melhores que as de um concreto convencional.” Atualmente, três empresas privadas já demonstraram interesse na tecnologia, que conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Fonte: Estadão

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