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19 de setembro de 2022

Cientistas criam materiais biodegradáveis para construir paredes

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Cientistas norte-americanos criaram uma parede viva! E não se trata de uma tendência de decoração, mas de inovação. Pesquisadores da Universidade da Virgínia transformaram um solo cheio de sementes em um material parecido com o concreto para erguer casas a partir da impressão 3D.

Em vez dos jardins ficarem em telhados, ou em estufas, o professor da Universidade da Virgínia, Ji Ma, resolveu usar materiais biodegradáveis, levando as plantas para as paredes. “Por que temos que fazer uma estrutura ou edifício separado da natureza em que ele se encontra?’, questionou o professor em entrevista ao site da Universidade.

Materiais biodegradáveis, bioconstrução e 3D

A partir de um equilíbrio de solo, água e sementes, os pesquisadores conseguiram compactar o material e imprimi-lo em 3D. O resultado foi parecido com o concreto, quanto à textura e durabilidade. De acordo com o professor Ma, no entanto, não se trata de “inventar a roda”. “Um dos materiais mais antigos de construção é o solo”, disse ele, lembrando das casas do sudoeste americano e das cabanas de barro da África. “As pessoas construíam estruturas a partir do solo muito antes de construírem com concreto”, lembra ele, em entrevista à Fast Company.



Reprodução: University of Virginia/Tom Daly

O que o 3D trouxe foi a capacidade de construir formatos diferentes com o solo, incluindo espaços maiores e com geometrias complexas, como domos. Para o mundo da construção, a tecnologia pode trazer agilidade e a capacidade de construir de maneira mais sustentável.

A economia circular do barro

Uma vez na estrutura das paredes, o solo enriquecido não deixa de ser vivo. Nele, portanto, nascem plantas. “O solo impresso em 3D tende a perder água mais rapidamente e a manter um controle mais forte da água que possui”, disse Ma. “Como a impressão 3D torna o ambiente ao redor da planta mais seco, temos que incorporar plantas que gostam de climas mais secos. A razão pela qual pensamos que este é o caso é porque o solo fica compactado. Quando o solo é espremido através do bocal, as bolhas de ar são empurradas para fora. Quando o solo perde bolhas de ar, ele retém a água com mais força.”



Reprodução: University of Virginia/Tom Daly

Segundo o professor da Escola de Arquitetura da Universidade da Virgínia, Ehsan Baharlou, que também participou da pesquisa, a economia circular foi uma das principais inspirações para os estudos e testes. “Mudamos para ‘materiais’ à base de solo para obter benefícios adicionais da manufatura aditiva circular”, disse Baharlou. “Estamos trabalhando com solos e plantas locais misturados com água; a única eletricidade que precisamos é para mover o material e fazer funcionar uma bomba durante a impressão. Se não precisarmos de uma peça impressa ou se não tiver a qualidade certa, podemos reciclar e reutilizar o material no próximo lote de tintas”, disse o professor, falando sobre o acabamento das matérias-primas.



Reprodução: University of Virginia/Tom Daly

Fonte: Habitability

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