ABRAINC NEWS

11 de setembro de 2023

CEO da Adolpho Lindenberg fala sobre mudanças no mercado imobiliário em entrevista ao Valor Econômico

Compartilhar:

Entrevista | Adolpho Lindenberg Filho, CEO da Construtora Adolpho Lindenberg

Em um mercado tão vulnerável às oscilações econômicas como o imobiliário, resistir por setenta anos é quase um milagre. Mas este tem sido o grande feito da Construtora Adolpho Lindenberg, fundada em 1954 e sob o comando da segunda geração da família. Na entrevista a seguir, o CEO Adolpho Lindenberg Filho conta o segredo da resiliência e comenta o debate sobre a Lei de Zoneamento na capital paulista. Acompanhe.

https://abrainc.org.br//uploads/2023/9/CEO-da-Adolpho-Lindenberg-fala-sobre-mudancas-no-m1966.jpeg

Adolpho Lindenberg Filho, CEO da Construtora Adolpho Lindenberg — Foto: CAL/Divulgação

A companhia completa 70 anos em 2024: qual o segredo dessa longevidade?

Lindenberg Filho — O principal foi termos mantido o foco na qualidade e durabilidade de nossos projetos. E buscado nos adaptar a cada momento. Isso gerou um relacionamento de confiança junto aos nossos clientes, fornecedores e colaboradores, permitindo à empresa durar estes 70 anos em um mercado tão turbulento.

Como avalia o atual momento dos negócios e do mercado?

Temos tido uma trajetória recente muito positiva, com resultados operacionais e financeiros positivos no semestre e lançamentos e vendas crescentes, mesmo em um cenário anterior, de juros altos. Agora, com a redução inicial e a tendência de queda, o mercado imobiliário como um todo está mais otimista.

Como os juros mais baixos ajudam no alto padrão?

Foi uma sinalização importante e necessária porque incentiva as pessoas a diversificarem suas aplicações. A juros altos, é difícil a valorização dos imóveis acompanhar os ganhos da renda fixa. Com a queda dos juros, as pessoas mudam a carteira de investimentos e isso aquece o segmento de alto padrão.

São Paulo discute a Lei do Zoneamento e uma das áreas em questão é a região dos Jardins, cujo tombamento histórico foi questionado recentemente. Que avaliação faz do tema?

Penso que a cidade está crescendo e é preciso se adaptar a isso constantemente para que as pessoas morem melhor. No caso dos Jardins, acho que é uma coisa útil e importante para a cidade. Seria uma adaptação para melhorar o adensamento daqueles bairros com condomínios horizontais, sem verticalizar.

A região é formada por bairros antigos, residenciais, com construções de gabarito com até 10 metros de altura e foi isso que atraiu os seus moradores. Entretanto, tem muita gente que vive ali em terrenos de dois, três mil metros quadrados, e que não consegue nem vender, nem construir mais.

“Nos anos 1950, a companhia construía casas na pantanosa área que seria a região do Parque do Ibirapuera. Foi uma aposta no escuro. Hoje dá para apostar assim no mercado imobiliário paulista?

Esse é um episódio engraçado de nossa história. Era o início da empresa, e meu pai conta que tinha de começar de algum jeito e só restava acreditar. Então, surgiu essa oportunidade, e ele apostou, acreditando que aquela área seria valorizada em algum momento. E deu certo!

Hoje, o Plano Diretor da cidade é que direciona as “apostas” das empresas do setor. Essa última revisão aumentou bastante a oferta de áreas destinadas à construção de prédios na cidade, o que deve acirrar a concorrência entre as incorporadoras pelos melhores terrenos.

O conceito de alto padrão mudou muito nessas sete décadas?

Se adaptou bastante. Muitos valores que eram importantes hoje não são mais. O tamanho, por exemplo, não é mais tão determinante. A qualidade interna de projeto e acabamentos, segurança e tecnologia disponível nos apartamentos são mais valorizadas do que a metragem quadrada. Já a localização ganhou a preferência. Cada época tem sua particularidade. E é preciso saber captar o que cada momento pede.

O perfil do comprador de imóveis de luxo também mudou?

O cliente de alto padrão tem um perfil cada vez mais jovem. Novas profissões e mercados, como o financeiro, têm ajudado nessa transformação. É um público bem-informado que observa o preço como um dos critérios para decisão de compra. Mas, com nossa história e posição no mercado, temos convencido esse cliente a fechar negócio.

Como imagina a companhia no médio e longo prazos?

Outro dia li no jornal alguém respondendo assim: “eu estou tentando sobreviver até dezembro, como vou saber onde estarei daqui a cinco anos?!” Brincadeiras à parte, nossa meta principal é manter o foco nos relacionamentos e na qualidade e durabilidade dos projetos, tornando-os mais amigáveis para a cidade também. São princípios históricos da empresa que permanecerão fortes na construção futura dos negócios.

O sr. praticamente nasceu dentro da empresa – um ano após a fundação. Nunca pensou em sair, tentar outra profissão?

E dizer “vou embora, não quero mais brincar disso?” Não! Não seja fácil, porque há sempre a expectativa de que o trabalho e a gestão dos negócios sejam iguais às do seu pai em uma empresa familiar, e não são. Mas isso nunca foi um problema. No mais, todo mundo gosta de trabalhar na empresa. Nossos colaboradores têm, em média, 15 anos de casa. É muito divertido trabalhar aqui.

Fonte: Valor Econômico

Compartilhar:

Notícias relacionadas

11 de março de 2026

Setor produtivo alerta para impactos da redução da jornada de trabalho em vídeo

Material assinado por mais de 125 entidades aponta que proposta pode elevar custos da construção e dificultar o acesso à casa própria

Categoria:
10 de março de 2026

Editorial: Redução da jornada de trabalho e os impactos negativos para a sociedade

A redução abrupta da jornada, sem ganho de produtividade, ameaça emprego, competitividade e o acesso à moradia

Saiba mais

9 de março de 2026

Mulheres à Obra 2026: setor da construção como aliado no combate à violência contra a mulher

Diante do avanço de casos de feminicídio no país, a quinta edição da campanha convida o setor a refletir sobre como contribuir para o enfrentamento à essa questão, r

Categoria:
25 de fevereiro de 2026

Estudo da ABRAINC sobre impactos do fim da escala 6x1 nos preços dos imóveis novos é destaque na imprensa


Categoria: