ABRAINC NEWS

7 de junho de 2019

Caixa corta juro do crédito imobiliário

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Caixa Econômica Federal anunciou a redução nos juros no financiamento da casa própria, que passam a valer a partir da próxima segunda-feira. O banco também divulgou nesta quarta-feira, 5, novas possibilidades para renegociação de empréstimos em atraso. A maior taxa cobrada caiu de 11% mais Taxa Referencial (TR, atualmente em zero) para 9,75% mais TR. A menor taxa, que é paga por quem tem relacionamento com a instituição, foi reduzida de 8,75% mais TR para 8,5% mais TR.

A Caixa unificou as taxas cobradas nos empréstimos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). No primeiro, os clientes financiam imóveis de até R$ 1,5 milhão com o uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No SFI, para imóveis acima de R$ 1,5 milhão, a taxa cairá de 9,75% mais TR para 8,5% mais TR.

As taxas valem nas diversas modalidades de financiamento: imóvel novo, imóvel usado, aquisição de terreno e construção, construção em terreno próprio e reforma e ampliação.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, garantiu que o banco manterá o foco na baixa renda, mas também buscará crescer no crédito para a classe média. Segundo Guimarães, a Caixa voltará a emprestar pela modalidade Price, que tem parcelas fixas e começam menores que as da modalidade SAC.

Na avaliação de Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP (que representa empresas do setor), o movimento feito pela Caixa deve ajudar milhares de famílias. “Há cerca de oito anos, a mediana dos juros de financiamento era de 8%. Hoje, é de 9%.” Ele pondera, no entanto, que a Caixa poderia ter sido mais ousada, colocando os juros para o SFH em 8,16%.

Para Luiz Antonio França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o movimento anunciado pela Caixa tem um impacto importante no mercado, dado o peso que a instituição tem na concessão de financiamentos. “A tendência é que os bancos concorrentes façam o mesmo movimento.”

Os demais bancos não confirmaram se seguirão a Caixa, mas dizem monitorar o movimento do mercado. No Banco do Brasil, as taxas começam em 8,49% ao ano mais TR, para o SFH. O banco não opera pelo SFI e financia até 80% do valor do imóvel. No Itaú Unibanco, a taxa mais baixa é de 8,3% ao ano mais TR, para o SFH e o SFI e o financiamento é de até 82% do preço do imóvel.

Os financiamentos no Bradesco, por sua vez, partem de 8,95% ao ano mais TR, para imóveis de até R$ 1,5 milhão, e de 9,45% mais TR para os que custam acima disso. O banco financia até 80% do valor do imóvel.

Já no Santander, as taxas começam em 8,99% ao ano mais TR (SFH) e 9,49% ao ano mais TR (SFI) e é financiado até 80% do valor, podendo ser incluídos os custos do imposto de transmissão, o ITBI, e de registro.

Inflação


A Caixa também deve anunciar nas próximas semanas, segundo o presidente do banco, a possibilidade de concessão de empréstimos usando o índice de inflação IPCA, como indexador, no lugar da TR. Segundo o presidente, a mudança é importante para facilitar a proteção do banco para as operações, pois não há títulos públicos indexados a TR, mas ao IPCA. Isso facilita operações de securitização de empréstimos.

Para Guimarães, o risco de a inflação se elevar no prazo das operações seria o mesmo tanto nas linhas de TR e de IPCA.

Renegociação de dívidas


A Caixa também divulgou as condições para a renegociação de dívidas imobiliárias de pessoas físicas. Segundo o banco, as medidas atingem 589 mil contratos (11% da carteira) e devem beneficiar 2,3 milhões de pessoas. Em alguns contratos, pode haver perdão de multas.

Segundo Guimarães, os atrasos de pagamentos na carteira de crédito habitacional chegam a R$ 10,1 bilhões. As renegociações podem gerar de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão para a Caixa este ano. Entre as opções está o pagamento à vista de uma entrada e a incorporação das parcelas atrasadas nas próximas prestações, disponível para 111 mil famílias, que devem R$ 1,8 bilhão.

Outras 237 mil famílias, com R$ 4 bilhões em dívidas, poderão pagar a prestação mais antiga atualizada e incorporar o saldo devedor ao resto do financiamento. As 51 mil famílias com atrasos superiores a 180 dias, e dívidas de R$ 900 milhões, poderão ter o perdão de multa e juros moratórios ao pagarem a primeira prestação da entrada.

Há 15 mil famílias, com débitos de R$ 300 milhões, na iminência de terem seus imóveis retomados, que poderão ficar adimplentes com o pagamento de uma prestação. Há, ainda, a possibilidade de usar o saldo do FGTS para reduzir o valor das prestações, além da mudança da data de vencimento.

 

Fonte: ESTADÃO

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