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Brasil fará estreia de títulos ESG, diz secretário do Tesouro
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O Brasil oferecerá seus primeiros títulos vinculados a projetos sociais e ambientais nos próximos meses, uma entrada há muito esperada nos mercados de dívida sustentável que demonstrará seu compromisso com metas climáticas ambiciosas, disse o secretário do Tesouro, Rogério Ceron.
O país nunca emitiu títulos sustentáveis, mas planeja fazê-lo na próxima vez que buscar financiamento nos mercados internacionais. Uma nova operação deve ficar pronta até o final de agosto, com a colocação entre setembro e novembro, disse Ceron à Bloomberg News em entrevista de seu escritório em Brasília.
A tão esperada estreia da maior economia da América Latina marcará um passo à frente nos esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cumprir grandes promessas ambientais e sociais, de acordo com o secretário.
“É um sinal geopolítico da concretude com que o Brasil está se comprometendo com a agenda ambiental e social”, disse Ceron.
O Tesouro já observou um aumento na demanda de investidores estrangeiros por títulos do governo brasileiro, segundo Ceron. Isso tem causado um aumento na oferta de títulos prefixados de longo prazo, como as NTN-Fs, e o Tesouro seguirá com emissões maiores se o apetite continuar crescendo.
“Esperamos que o interesse estrangeiro aumente no segundo semestre”, afirmou.
Ceron vê 2024 como um ano desafiador para a política fiscal, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prometendo zerar o déficit orçamentário federal, que deve encerrar 2023 em R$ 145 bilhões.
O Ministério da Fazenda planeja introduzir várias medidas para aumentar a receita em um esforço para fechar o rombo. Alguns dos planos exigirão aprovação do Congresso e outros já enfrentam resistência do setor financeiro, incluindo uma proposta de taxar fundos exclusivos.
O governo pode buscar medidas alternativas para aumentar a receita se o Congresso não aprovar algumas das propostas de Haddad, disse Ceron. A equipe econômica de Lula também pode contingenciar até R$ 50 bilhões para cumprir as regras de gastos públicos, se necessário, acrescentou.
Se o ano que vem será difícil, também será um divisor de águas para o governo, segundo o secretário. Ele disse acreditar que a equipe econômica entregará um orçamento equilibrado, o que ajudará a aliviar as preocupações dos investidores com as perspectivas fiscais do Brasil. “Se o ano correr bem, como esperado, a agenda fiscal perde importância”, disse.
Fonte: Exame
Foto de capa: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda/Flickr
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