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27 de janeiro de 2026

Brasil é vice-campeão mundial em gasto com juros e compromete investimentos essenciais

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Com 8,5% do PIB destinados ao pagamento da dívida em 2025, país aparece em 2º lugar no ranking do FMI e destina aos juros valores até cinco vezes superiores aos orçamentos de Saúde e Educação

O Brasil ocupa uma posição alarmante no cenário internacional das finanças públicas. De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país é o segundo maior do mundo em gasto com juros da dívida pública, entre 190 economias analisadas, atrás apenas do Egito. Em 2025, 8,5% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro será consumido pelo pagamento de juros — um patamar extremamente elevado para um país emergente.


Na prática, esse gasto supera de forma expressiva áreas essenciais para o desenvolvimento do país. O volume destinado ao pagamento da dívida em 2025 foi cerca de 4,5 vezes maior que todo o orçamento da Saúde e quase cinco vezes superior ao da Educação, evidenciando o forte impacto dos juros elevados sobre a capacidade de investimento do Estado.

Enquanto economias avançadas destinam, em média, algo entre 3% e 5% do PIB ao pagamento de juros, o Brasil quase dobra esse percentual.

A situação é agravada pela composição da dívida pública brasileira. Cerca de 44% do endividamento está atrelado à taxa Selic, o que torna o custo da dívida extremamente sensível às decisões de política monetária. Cada aumento ou manutenção dos juros em patamar elevado impacta quase imediatamente o gasto público. Por outro lado, países do G7 contam majoritariamente com dívidas prefixadas e de longo prazo, o que reduz a vulnerabilidade fiscal em ciclos de alta dos juros.

Os números mostram que reduzir a Selic é uma medida com efeito direto e relevante sobre as contas públicas. Estimativas indicam que cada 1 ponto percentual de queda na taxa básica de juros pode gerar uma economia anual entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões, recursos que poderiam ser redirecionados para destravar o crédito, estimular investimentos, ampliar a produção de moradias e fortalecer políticas públicas essenciais.

Caso o Brasil operasse próximo da média global de gasto com juros, o país teria cerca de R$ 600 bilhões adicionais por ano para investir, sem a necessidade de aumentar impostos. No cenário atual, porém, o elevado custo da dívida mantém o país preso a uma verdadeira “armadilha de juros”, na qual o esforço fiscal serve, em grande parte, apenas para pagar encargos financeiros.

Diante desse contexto, a discussão sobre a trajetória da taxa Selic e o fortalecimento da credibilidade fiscal deixam de ser apenas um debate técnico e passam a ser uma condição necessária para o crescimento sustentável do país. Reduzir o custo da dívida não é apenas uma escolha de política econômica, mas um passo fundamental para permitir que o Brasil volte a investir em desenvolvimento, infraestrutura, habitação e bem-estar social.

Fontes: FMI (Fiscal Monitor 2025), BCB (Banco Central do Brasil) e IIF (Institute of International Finance)

Redação ABRAINC

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