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25 de julho de 2023

Biourbanismo: cidades devem ser pensadas como parte da natureza

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O novo tipo de planejamento urbano, chamado biourbanismo, junta conceitos de ecologia, design e arquitetura

O Biourbanismo é uma nova forma de planejar cidades, vendo-as como um ente vivo. O conceito une práticas da ecologia, da biologia e do design para conceber a arquitetura urbana. Por essa perspectiva, o espaço urbano não é diferente de uma floresta. Ele é apenas uma floresta “modificada por humanos”!

Para os teóricos do biourbanismo, as cidades são organismos vivos, compostos de sistemas hipercomplexos com dinâmicas internas e externas que interagem entre si. Quando entende esses sistemas, o planejador consegue conceber alterações que impactam menos o ambiente e trazem mais benefícios para as pessoas. 

“O biourbanismo considera uma cidade como um bioma. Os seres humanos gostam de separar as cidades e a eles mesmos da natureza. A premissa do biourbanismo é que somos um organismo vivo e nossas cidades são a natureza. Assim que você considera uma cidade como natureza, isso muda a forma como você planeja essa cidade”, afirmou o arquiteto e criador do conceito, Andrian McGregor, em entrevista à revista italiana Domus.

A METODOLOGIA DO BIOURBANISMO 

De acordo com a Sociedade Internacional do Biourbanismo, o conceito reconhece formas ótimas definidas em diferentes escalas (desde o nível puramente fisiológico até o nível ecológico) que, através de processos morfogenéticos, garantem uma condição ótima de eficiência sistêmica e de qualidade de vida para os habitantes. Um design que não segue essas leis produz ambientes anti-naturais e hostis, que não se encaixam na evolução de um indivíduo e, portanto, falham em melhorar a vida de alguma forma.

O sistema estrutura as cidades em 10 sistemas interconectados: cidadãos, economia, energia, infraestrutura, mobilidade, tecnologia, água, dejetos/lixo, paisagismo e alimentação. Juntas, as interações entre esses sistemas podem determinar a saúde e a prosperidade dos espaços urbanos. 

Em entrevista para a Bloomberg, McGregor explica que cada cidade terá uma necessidade diferente dentro desses 10 sistemas. O plano de resiliência que cada município irá criar depende dos indicadores dentro de cada um desses sistemas. 

TECNOLOGIA E A CIDADE-BIOMA

Para planejar a partir desta metodologia, os arquitetos e urbanistas precisam se conectar em dados de performance em tempo real nos bairros e ruas. Ou seja, os digital twins.

“Um usuário, seja cidadão ou funcionário do governo, pode usar o gêmeo digital para simular mudanças na cidade para ver o que acontece, porque seria compartilhado publicamente. Isso significa que você também pode testar o impacto de um projeto ao longo de sua vida útil, especialmente em termos de uso de água ou energia”, explicou McGregor à Bloomberg.

Além da tecnologia e dos dados, o biourbanismo se baseia no profundo respeito pela coexistência do concreto, do verde e dos animais. O exemplo vem de uma construção feita por McGregor na sua terra natal, Austrália: um “aeroporto” de pássaros. O espaço é uma mistura de museu e área alagada com plataformas levantadas para proteger pássaros que estivessem migrando ou emigrando.

“O aeroporto dos pássaros era um local discreto onde tínhamos um alto grau de controle sobre o ar, a água e a vegetação. Poderíamos criar nossos próprios microecossistemas no local e garantir que a reciclagem da água, a vegetação, o solo e os microorganismos sejam todos geridos de forma eficaz para beneficiar uns aos outros”, explicou o arquiteto à Domus.

Fonte: Habitability

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