ABRAINC NEWS

4 de novembro de 2025

Artigo: incorporação imobiliária se tornará central na descarbonização urbana — por Luiz França

Compartilhar:

Em artigo publicado na revista Exame, Luiz França, presidente da ABRAINC, destaca como o setor da incorporação imobiliária pode se tornar um protagonista essencial na agenda de descarbonização das cidades brasileiras.

Leia a íntegra abaixo:

https://cdn.abrainc.org.br/files/2025/11/a5416e14-6fcc-41e8-aa6f-778c4cb95cd5.webp

Por Luiz França, presidente da ABRAINC

O setor de incorporação imobiliária brasileiro está diante de uma oportunidade histórica: liderar o processo de descarbonização das cidades e impulsionar uma nova economia urbana, resiliente e de baixa emissão de carbono. 

Esse papel decorre não apenas da responsabilidade de quem transforma o território, mas de vantagens estruturais que conferem ao Brasil e ao setor uma posição estratégica diante do desafio climático.

Quatro fundamentos técnicos sustentam esse protagonismo são:

1. Eficiência energética relativa elevada

O Brasil ocupa posição de destaque entre os países com menor consumo de energia per capita. De acordo com o Atlas de Eficiência Energética da EPE (2023), em 2019 o país estava na 54ª colocação entre 56 nações avaliadas em termos de Demanda de Energia Primária (DEP).

Trata-se de um indicativo relevante: consumimos menos energia por pessoa para sustentar nossas atividades, com menor emissão associada à energia — um diferencial importante no enfrentamento às mudanças climáticas.

2. Avanços concretos na eficiência operacional das edificações

Entre 2005 e 2022, o setor residencial brasileiro apresentou uma evolução notável em eficiência energética. O índice ODEX, que mede esse desempenho, caiu de 100 para 80,1 — uma melhoria de 20%. 

Esse é o melhor resultado entre todos os setores da economia brasileira. Ou seja, as habitações consomem menos energia para oferecer o mesmo conforto, um avanço silencioso, mas crucial do ponto de vista climático.

3. Uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta

Com 84,8% da eletricidade proveniente de fontes renováveis, o Brasil possui uma matriz muito mais limpa que a dos países da OCDE (27%) e que a média global (23%). 

Isso significa que, mesmo quando há consumo elétrico, nossa pegada de carbono associada é bem menor, fator que nos coloca à frente de outras nações.

4. Transição energética em curso nas residências brasileiras

O uso de energia no setor residencial tem passado por um processo acelerado de eletrificação — substituindo fontes fósseis, como o gás de cozinha, por eletricidade limpa. 

Entre 2005 e 2022, a participação da eletricidade no consumo residencial cresceu de 52% para 65%, enquanto a demanda total caiu, um reflexo direto da maior eficiência dos equipamentos e da substituição de combustíveis por fontes renováveis.

Esses quatro pilares nos colocam em posição privilegiada

Estudo da POLI-USP mostra que no segmento de habitação residencial popular, apenas cerca de 30% das emissões do setor são oriundas da fase de operação. O restante — 70% — decorre da fase de construção.

Isso nos leva a uma conclusão central: a maior parte das emissões da incorporação imobiliária está associada à cadeia de suprimentos. 

O Inventário Setorial de Gases de Efeito Estufa da Incorporação Imobiliária, desenvolvido pela ABRAINC em parceria com Secovi-SP e SindusCon-SP, no âmbito da Aliança GEE, revelou que 97,4% das emissões são de escopo 3 — ou seja, não são emitidas diretamente pelos incorporadores, mas por fornecedores, sobretudo na produção de materiais de construção.

Os dados deixam claro que a maior parte das emissões da incorporação imobiliária está fora do canteiro — e, portanto, qualquer estratégia eficaz de descarbonização precisa ser construída a partir da cadeia de valor. 

Urgente é garantir transparência nas informações ambientais dos materiais que compõem as obras

Nesse sentido, a prioridade deve ser a disponibilização das Declarações Ambientais de Produto (EPD) pelos fabricantes de insumos e sistemas construtivos. 

As EPDs são documentos técnicos que quantificam os impactos ambientais de um produto ao longo de seu ciclo de vida. Sem esse detalhamento, é impossível tomar decisões baseadas em dados concretos de carbono incorporado nos projetos.

Apenas com uma cadeia de suprimentos comprometida com a mensuração e divulgação de emissões — em linguagem técnica padronizada e verificável — será possível avançar no desenho de empreendimentos orientados à redução da pegada de carbono.

Descarbonizar é, antes de tudo, conhecer, e isso exige dados confiáveis

A jornada para cidades mais sustentáveis começa com um pacto por informação ambiental de qualidade.

Com uma matriz energética limpa, ganhos reais em eficiência e pegada operacional bem menor que a média global, o Brasil já constrói com menor impacto. 

O que falta agora é dar visibilidade aos números, transformar informação em ação e envolver toda a cadeia de produção na redução das emissões. 

Às vésperas da COP30, podemos mostrar ao mundo que o Brasil tem no setor da incorporação imobiliária um motor de crescimento sustentável, que concilia desenvolvimento urbano com responsabilidade climática.

Artigo publicado na Exame

Compartilhar:

Notícias relacionadas

9 de junho de 2026

ABRAINC apoia manifesto em defesa da PEC 12 do Trabalho Flexível

Entidade se junta a organizações que representam mais de 40 milhões de empregos no Brasil em apoio à modernização das relações de trabalho

<

Categoria:
29 de maio de 2026

Novas restrições no Campo de Marte podem gerar prejuízo de R$ 25 bilhões para São Paulo em dez anos

Estudo da ABRAINC em parceria com o Secovi aponta que mudanças na operação do aeroporto impactam 90% da produção imobi

Categoria:
28 de maio de 2026

ABRAINC participa de audiência pública no STJ sobre solução extrajudicial em ações de consumo

Tema 1396 discute se consumidores devem comprovar tentativa prévia de solução antes de ingressar com ação judicial

Categoria:
26 de maio de 2026

ABRAINC defende transição mínima de 60 meses para mudanças na escala 6x1

O presidente da ABRAINC, Luiz França, concedeu entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (25/05) sobre os possíveis impactos da proposta de fim da escala 6x1 para o setor de incorporação imobiliária.

Na aval

Categoria: