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14 de março de 2022

Antes um meio, a inovação virou atividade-fim

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-caption id="attachment_25574" align="alignnone" width="389"- Marcelo e Marcos Yunes - Foto: Claudio Belli - Agência O Globo-/caption-






A Yuny deu um salto enorme de 2020 para 2021, passando de R$ 192 milhões para R$ 1,1 bilhão em lançamentos. A que vocês atribuem esse resultado?





Marco Yunes — Passamos por movimentos interessantes, e o mais recente foi concluir o private equity de dez anos com a VR, iniciado em 2010. Retomamos 100% do Grupo VR em 2019 e começamos um novo ciclo, com aquisições de terreno. Os lançamentos voltaram com força, e nosso objetivo é lançar R$ 1 bilhão por ano.





Marcelo Yunes — Com um cenário mais claro, voltamos a acreditar no mercado e a enxergar um ciclo de investimento. Em 2021, fizemos sete lançamentos, dois de altíssimo padrão, um no médio/alto e quatro no econômico, todos na cidade de São Paulo, que é nosso foco.





Quais são as perspectivas para 2022?





Marcelo — Pretendemos fazer cinco novos lançamentos no valor de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão: um de altíssimo padrão nos Jardins, um de alto padrão em Higienópolis, dois de médio/alto na Vila Clementino e no Alto da Boa Vista, e um econômico perto do Zoológico.





O cenário de inflação e juros mais altos não preocupa?





Marcos — Vemos este momento como uma correção pós-pandemia. A inflação e os juros estavam muito baixos, um desequilíbrio que acabou acelerando a inflação. Mas este ano deve ser de queda, assim como nos juros, e de tendência de equilíbrio no preço dos insumos. Houve aumento no valor da matéria-prima e da mão de obra, mas tudo deve se reequilibrar agora.





Independentemente do resultado das eleições?





Marcelo — Sim. Temos desafios políticos grandes e reformas que precisam ser feitas. Mas achamos que o próximo governo terá que ser responsável para tocar a economia com atenção aos fundamentos econômicos, controle de inflação, responsabilidade fiscal e agenda de reformas importantes, como a administrativa, a tributária e a política.





O investimento em inovação tecnológica virou um ponto forte da Yuny. Quanto a empresa investiu e até onde está disposta a ir nessa direção?





Marcelo — O YunyLab foi criado em 2019 e, com a pandemia, mostrou-se uma aposta muito acertada. Já investimos mais de R$ 10 milhões em inovação e modernização de processos, englobando prospecção, compra de terrenos, desenvolvimento de projetos, lançamentos e vendas. O YunyLab atua em todas essas áreas. No ano passado, implementamos 40 iniciativas de transformação digital nas áreas de incorporação, vendas, administração e engenharia. Neste ano, já foram mais de 30 iniciativas. Antes, olhávamos mais a compra e a venda. Hoje, olhamos a administração, a governança e o ESG, em termos de meta.





Marcos — Estamos criando um hub de startups. Queremos juntar nossa experiência com a inovação, detectar oportunidades e desenvolver a indústria. A Yuny é uma incorporadora enxuta que já tem cara de startup em algum sentido, e transformá-la em uma proptech tem sido uma experiência exitosa. É um processo irreversível.





A inovação deixou de ser um meio para a Yuny e passou a ser uma atividade-fim?





Marcelo — Exato. A inovação ganhou proporção tão grande que acabou virando fim. Compramos participação na companhia que desenvolveu um app de realidade ampliada, que permite ao cliente ver onde estão os tubos e a fiação e furar a parede com segurança. Hoje, temos 22 incorporadoras como clientes dessa startup. Acabou sendo um novo negócio. Apostamos no uso de novas tecnologias de materiais pré-fabricados que reduzem tempo e desperdício e geram ganho de velocidade e qualidade.





Marcos — É uma vertente ligada às questões ESG. A busca por eficiência reduz custo, aproveita material e produz menos impacto ambiental. Temos projetos ligados ao reúso de material que desemboca no social, na destinação de materiais para ações sociais.





A Yuny obteve o registro de companhia de capital aberto pela CVM no ano passado. Já há uma previsão para o lançamento de ações?





Marcelo — Foi a evolução natural de um crescimento orgânico que incluiu o modelo de funding, operações em debêntures e private equity. Para lançar ações, dependemos das condições de mercado. Não é um fim, é um meio de crescimento. Pronta, a companhia já está, com nível de governança A. Trabalhamos há muito tempo com a pauta ESG também.





O que o comprador deve observar com prioridade quando compra um imóvel pensando em fazer um bom investimento? A pandemia alterou esses critérios?





Marcos — Historicamente, a localização sempre foi fundamental. Para uns, é melhor estar perto do trabalho; para outros, da escola das crianças. As pessoas hoje se preocupam mais com espaço, áreas de lazer, espaços de coworking no condomínio, lugar para pet, facilidade de locomoção e tecnologia.





Marcelo — Temos fomentado o planejamento da parte de delivery até com elevador para entrega de comida ou lockers refrigerados para guardar as entregas. A estrutura de internet é cada vez mais valorizada, a biometria também. Qualidade de vida é a chave, e muitas vezes ela está na simplicidade.





O que falta para o mercado imobiliário atingir o potencial de crescimento que existe no Brasil?





Marcelo — Falta estabilidade na política econômica e segurança jurídica, uma clareza de horizonte mais a longo prazo. Os déficits são grandes, e a pandemia acabou levando as pessoas a terem mais vontade de morar bem, em espaços agradáveis e mais amplos, que promovam a convivência familiar. Em São Paulo, precisamos da revisão do Plano Diretor. Mais do que estimular construções, é importante homogeneizar regras, reduzir restrições em algumas áreas. Precisamos de mais equilíbrio.


Entrevista publicada no Valor Econômico





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