ABRAINC vê redução da Selic como passo importante, mas defende continuidade do ciclo de queda
A ABRAINC considera positiva a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mas avalia que é fundamental garantir uma trajetória contínua e mais consistente de queda dos juros no país.
A entidade compreende que o cenário internacional, marcado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, adiciona incerteza à economia global e pressiona a inflação, especialmente por meio dos preços de commodities como petróleo, porém ressalta que o Brasil, mesmo antes do início do conflito, já convivia com um dos maiores juros reais do mundo, ocupando a 2ª posição global, com taxa de aproximadamente 9,51%, atrás apenas da Turquia.
Esse patamar elevado restringe o crédito, encarece o custo de capital e limita o crescimento do país.
Além disso, cada redução de 1 ponto percentual na Selic poderia gerar uma economia anual entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões no pagamento de juros da dívida pública, recursos que poderiam ser direcionados a investimentos e à geração de empregos.
Os efeitos já são percebidos no mercado de trabalho. Em 2025, o Brasil criou 1,28 milhão de vagas formais, resultado 23% inferior ao de 2024 e o pior desde 2020. Em janeiro de 2026, foram 112,3 mil vagas, queda de 27% na comparação anual.
Para o presidente da ABRAINC, Luiz França, o ciclo de queda precisa ganhar intensidade. “A redução é positiva, mas o país ainda opera com um custo de capital muito elevado, que restringe o crédito e desacelera a atividade econômica”, afirma.
A ABRAINC reforça que a continuidade e o aprofundamento da redução dos juros são essenciais para estimular investimentos, geração de empregos, ampliar o acesso ao financiamento imobiliário e garantir um crescimento econômico sustentável.
Redação ABRAINC