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ABRAINC parabeniza suas associadas pelo Dia Internacional das Mulheres na Engenharia
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A ABRAINC comemora nesta quarta-feira (23) o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia. Criado pela Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido, o Dia é celebrado anualmente em 23 de junho e tem como objetivo fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão, antes majoritariamente ocupada por homens.
Engenheiras civis, elétricas, mecânicas e tantas outras especialistas que ajudam a construir o progresso do Brasil têm se destacado e ocupado cada vez mais cargos de liderança no setor da Construção. A ABRAINC conversou com algumas dessas mulheres inspiradoras para celebrar o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia.
Para Patricia Heredia Domingues, engenheira civil e Diretora Executiva de Construção e Sustentabilidade da Tegra Incorporadora, a representatividade feminina na engenharia brasileira ainda é bastante pequena, mas se comparada a um passado não muito distante, é perceptível um crescimento grande da presença feminina na profissão.
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Patricia Heredia Domingues-/caption-Ela acredita que a equiparação de gênero neste mercado é uma tendência natural, pois no ritmo que vem crescendo, logo haverá essa igualdade no nível gerencial das obras, ao menos nas grandes capitais. Patrícia afirma que o principal desafio, que ainda está longe de ser resolvido, é a presença feminina na linha de produção nos canteiros de obra.
“Creio que temos que investir muito nisso, até porque algumas profissões vêm desaparecendo nos grandes centros, a exemplo das domésticas, e sem dúvida o mercado de construção civil poderia absorver. Para isso, o caminho é treinamento profissionalizante”, avalia.
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Camila Teixeira, engenheira; Ellen Priscila Olofo, eletricista; Patricia Domingues, Diretora Executiva de Construção, e Ana Beatriz Cardoso, estagiária - Obra TEG Vila Guilherme-/caption-Para combater o machismo no ambiente de trabalho, a Diretora Executiva de Construção e Sustentabilidade da Tegra Incorporadora diz que o “empoderamento, o conhecimento e competência, o lado humano mais aflorado e a capacidade gerencial das mulheres derrubará o machismo. Regras ajudam, mas a conquista da mulher por seu espaço é que dará perenidade e força neste processo”.
Leila Lacerda, gerente de Segurança e Saúde do Trabalho e Meio Ambiente da Tenda, é engenheira civil com pós-graduação em Gerenciamento de Projetos pela FGV e em Segurança do Trabalho pela USP. Ela afirma que ao longo das suas mais de três décadas na engenharia, foi possível observar o crescimento das mulheres nos cargos de média gestão, o que considera um fator bastante positivo, todavia, em cargos da alta liderança, o aumento não se deu no mesmo ritmo.
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Leila Lacerda-/caption-“Fui a primeira engenheira de campo de uma empresa na qual iniciei meu processo de formação, e hoje, na Tenda, todas as obras possuem um corpo feminino na gestão, algumas até com quase 100% da equipe composta por mulheres. A empresa está com um trabalho forte de inclusão e vejo que existe uma boa movimentação nas empresas de engenharia no Brasil. Estou otimista e acredito que não levaremos mais 30 anos para um aumento expressivo da representatividade feminina, principalmente em cargos de alta liderança”, afirma.
Segundo ela, em áreas com maior domínio de homens, as mulheres adotam muitas vezes um comportamento mais próximo da natureza masculina para serem aceitas, embora isso seja “uma ilusão e até mesmo uma prisão”.
“No fundo desejamos trabalhar sem renunciar à nossa verdadeira identidade profissional. A nossa fortaleza está exatamente na essência feminina que se faz intuitiva, corajosa, amorosa, emocional, vaidosa, detalhista", afirma.
Leila diz que as empresas devem tratar a inclusão como prioridade para alcançar a equiparação de gênero neste mercado, e a alta gestão possui papel fundamental neste processo.
“Devemos acreditar no nosso potencial inovador e acima de tudo transformador, continuar na labuta diária, perpetuando o aprendizado incansável, não aguardar de forma passiva que a empresa fomente o desejo de ter em seu quadro uma diretora ou uma presidente. Devemos tomar a iniciativa e sinalizar amplamente que almejamos chegar à presidência e/ou diretoria, e por fim, educar nossos filhos, sejam homens ou mulheres, longe do preconceito, da intolerância e do machismo”, explica.
Para combater o machismo no ambiente de trabalho, em primeiro lugar é preciso saber reconhecê-lo, principalmente o velado, que impera na estrutura de nossa sociedade, afirma Leila. “Para isso necessitamos de constantes campanhas de esclarecimento e conscientização. As empresas devem atuar de forma preventiva para que o machismo não tenha mais a possibilidade de gerar constrangimento, enfretamento e inúmeros problemas psicológicos que acometem as mulheres desbravadoras do século XXI”.
Ivânia Serazzi Melchert, engenheira de Obras da HM Engenharia, está na empresa desde 2012 e executa os projetos “do papel à realidade”, como diz, coordenando equipes e processos.
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Ivânia Serazzi Melchert-/caption-Formada há 35 anos, ela conta que a modalidade raramente era a escolha das mulheres naquela época, mas a profissão a atraiu pelo fato de gostar de ciências exatas. “Quando me perguntavam o que eu iria cursar na faculdade e eu dizia Engenharia, me aconselhavam a cursar Arquitetura, pois Engenharia era ‘profissão de homem’”, conta.
"De lá para cá, ela superou desafios e preconceitos. “A primeira construtora em que trabalhei não contratava mulheres para as obras, somente para o escritório. Assim, não consegui atuar onde desejava, somente depois de alguns anos pude fazer essa escolha”, relembra Ivânia.
Ser engenheira na HM, onde a metade do efetivo de obras é mulher e elas também são maioria no escritório, é um orgulho e uma vitória. “Nos últimos anos muitas barreiras foram quebradas e estamos conquistando o nosso espaço, vencendo o preconceito e a desigualdade. Porém ainda há muito trabalho a ser feito”, avalia.
Aline Imaculada Santos é engenheira civil e trabalha nas obras da HM, especificamente no setor de Produção, focada em monitorar o desempenho das obras a partir de metas e cronogramas bem estabelecidos.
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Aline Imaculada Santos-/caption-O que mais a satisfaz na profissão é começar um projeto do zero, vencer desafios dia após dia e, no final, ver o resultado. “Posso dizer que tenho o privilégio de realizar sonhos com a minha profissão”, diz ela.
"Os desafios profissionais foram muitos, começando já nas salas de aula, majoritariamente masculinas. As adversidades, no entanto, fizeram o oposto de desanimá-la. Assim, como ela mesmo diz, conseguiu conquistar o seu espaço. “Ser mulher na engenharia é quebrar muitas barreiras, ser desafiada o tempo todo e, acima de tudo, ter o prazer da conquista”, finaliza.
Daniela Ferrari Toscano de Britto, engenheira civil formada pelo Mackenzie, pós-graduada em engenharia de produção pela Fundação Vanzolini/USP e com MBA em Finanças pelo Ibmec, é diretora de Incorporação da Tenda, e explica que historicamente a engenharia civil é uma área com um alto percentual de homens atuando. Nos últimos anos, porém, há um movimento de mulheres ingressando na área e aumentando a sua representatividade.
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Daniela Ferrari-/caption-"Hoje, a Tenda tem 30% do seu quadro e 42% das posições de liderança compostos por profissionais do sexo feminino. Temos buscado ativamente esse equilíbrio, por meio de ações como a atenção à diversidade em processos seletivos, garantindo a equidade de gêneros nos programas de entrada (53% dos nossos estagiários são mulheres), ações afirmativas como o recém-lançado programa de estágio em tecnologia exclusivo para mulheres e iniciativas de mentoria de carreira específicos. Eu iniciei na carreira como estagiária e sei muito bem que oportunidades como esta são essenciais", afirma.
Segundo Daniela Ferrari, a Tenda tem buscado cada vez mais soluções para aumentar a participação feminina na companhia. Esse olhar já começa na busca pelos profissionais do futuro, por meio dos programas de estágio. "De acordo com o número e oferta de candidatos, tentamos equilibrar o ingresso de jovens engenheiras. Esse olhar também se estende para nossas colaboradoras em posições mais altas, tanto na oferta de desafios de carreira quanto em benefícios".
O combate ao machismo no ambiente de trabalho também foi abordado pela diretora de Incorporação da Tenda. De acordo com ela, a conscientização é um passo fundamental. "Ações institucionais, conversas e um canal eficiente de diálogo entre a área de Gente & Gestão e funcionários são alguns dos caminhos para criar uma cultura educativa e permitir que os homens também possam assimilar parte dessa visão".
Redação ABRAINC
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