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A difícil arte de empreender no Brasil
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Quando penso em empreendedorismo, logo me vem à mente uma analogia com o futebol de várzea, que ilustra com bastante semelhança como é difícil empreender no Brasil. Nunca joguei bola, mas posso entender o quanto é complicado para alguém ter como meta atravessar todo o campo para fazer o mais importante para aquela pessoa naquele momento: o gol.
O indivíduo coloca a bola no chão, olha para frente, e pensa: “desta vez vai dar certo”. Dribla um, dois, três adversários e, não demora muito, recebe uma canelada. O jogo para, então, por algum tempo, e ele fica lá, deitado no terrão, machucado e pensando porque não tomou a decisão correta. O fato é que alguém decidiu que ele não teria sucesso e interrompeu aquela jogada.
No final das contas, agora com a canela roxa, ele vai ter de começar tudo de novo – e assim será sempre. Depois de 90 minutos de luta, vai voltar para casa cheio de hematomas e sem atingir o objetivo que almejava para ele e seu time.
Assim é a vida de um empresário neste país. Ao olhar para trás, há 44 anos, quando comecei a empreender com CNPJ, não enxergo muitas diferenças. Na verdade, eu já empreendia desde os meus 13 anos, quando era ajudante na marcenaria que dois irmãos um pouco mais velhos montaram no fundo do quintal da casa do meu pai. Época em que eu trabalhava, com muito orgulho, como varredor e carregador de madeira de caminhões para fazer todo o processamento do produto ou entregar ao cliente.
Quando comecei a empreender, para mim era óbvio que não daria certo. Não existia nem sequer um plano, tampouco havia discutido a ideia com especialistas. Mas era um sonho – e eu fui atrás do meu sonho. Não queria ser empresário – desejava apenas fazer paredes e vender essas casas para futuras famílias que seriam felizes fazendo do lugar que eu construí o seu lar e o seu abrigo.
Todo empresário sabe que a concorrência é muito grande, que existem muitas dificuldades, como não ter o dinheiro suficiente ou o cliente no momento certo para consumir seu produto. Ao empreender, você pode ter todos os problemas típicos de uma aventura empresarial. Porque ser empresário em qualquer lugar do mundo é uma aventura. Mas ser empresário no Brasil são várias aventuras.
Sempre digo que, quando se trata de negócios, o que mais tenho medo é do passado. Afinal, nunca sabemos, principalmente quem atua no mercado imobiliário, o que vai voltar. Alguma coisa sempre vai voltar. Por exemplo: você fez o seu projeto e obteve todas as licenças necessárias e, ainda assim, alguém vai dizer que aquilo não vale mais.
A vida empresarial é, por definição, sazonal. Muitas vezes você está em uma jornada bem-sucedida e tem de retroceder. Ser um empresário de sucesso ou ter uma empresa de sucesso no Brasil nem sempre é bem-visto.
Aos 65 anos, continuo com a mesma vontade de empreender de quando eu tinha 18 anos. Ainda que empreender neste país seja uma grande aventura!
*Antonio Setin é fundador e presidente da Setin Incorporadora e conselheiro da Abrainc
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