Março 2026
Mercado imobiliário inicia 2026 com alta de 19,3% nos lançamentos e consolida expansão em 12 meses
Indicadores ABRAINC-Fipe mostram que o segmento Minha Casa, Minha Vida segue impulsionando o setor, enquanto o Médio e Alto Padrão apresenta ajuste de estoques
São Paulo, abril de 2026 – Os novos indicadores da Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC), elaborados em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revelam a continuidade do ciclo de crescimento do mercado imobiliário brasileiro. No acumulado dos últimos 12 meses, encerrados em janeiro de 2026, o número de unidades lançadas registrou uma alta de 19,3% em comparação ao período anterior, evidenciando o vigor do setor mesmo diante de desafios macroeconômicos.
O desempenho foi impulsionado pelo equilíbrio entre os segmentos. O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) apresentou uma elevação de 20,8% em unidades lançadas, consolidando seu papel como principal motor do mercado. Já o segmento de Médio e Alto Padrão (MAP) registrou um avanço de 11,1%, demonstrando uma retomada estratégica na oferta. Em termos de valor global lançado, o crescimento real (corrigido pelo IPCA) foi ainda mais expressivo, atingindo 24,5% no período, com destaque para o MAP, que saltou 27% em valor.
Valorização e desempenho financeiro
No campo das vendas, o setor registrou um aumento de 4,1% no volume de unidades comercializadas entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. Sob a ótica financeira, o crescimento real das vendas foi de 4,8%, totalizando um volume que reflete a valorização dos ativos imobiliários e a manutenção da demanda por moradia.
- Minha Casa, Minha Vida: o segmento de habitação popular segue em forte ascensão, com alta de 11,8% nas vendas em volume e 12,7% em valor real.
- Médio e Alto Padrão: embora tenha registrado retração de 17,6% no volume de unidades vendidas em 12 meses, o segmento apresentou um recuo menor em valor real (-4,2%), indicando uma concentração em produtos de maior valor agregado.
Entregas e oferta
A capacidade de execução das incorporadoras manteve-se elevada, com um incremento de 10,8% no número de unidades entregues. Este indicador é fundamental para a saúde financeira das empresas e para a confiança do consumidor final.
Vendas sobre Oferta (VSO)
A oferta final de imóveis encerrou janeiro de 2026 com um volume que garante um equilíbrio saudável para o mercado, com a oferta final correspondendo a aproximadamente 11,9 meses de consumo.
“Os dados consolidados de janeiro reafirmam a resiliência e a maturidade do setor. O Minha Casa, Minha Vida continua sendo o pilar de volume do mercado, com funding garantido pelo FGTS e taxas de juros definidas, propiciando escala no acesso à moradia, enquanto o Médio e Alto Padrão, mais impactado pelo cenário de juros elevados, demonstra uma recuperação importante na oferta de novos projetos”, afirma o presidente da ABRAINC, Luiz França. “A alta de quase 20% nos lançamentos em 12 meses é um sinal claro de que os incorporadores confiam na demanda de longo prazo e na estabilidade das regras do setor. Para que isso se mantenha, é fundamental garantir que os recursos do FGTS continuem sendo aplicados em habitação, saneamento e infraestrutura. Liberar parte do saldo para pagamento de dívidas de curto prazo é preocupante, com efeitos diretos sobre o crescimento, arrecadação e geração de empregos no país”, conclui.
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