Fevereiro 2026
Lançamentos de imóveis crescem mais de 30% em 2025 e impulsionam atividade do setor, aponta ABRAINC/Fipe
Indicadores mostram protagonismo da habitação popular e desafios no segmento de médio e alto padrão
O mercado imobiliário brasileiro registrou forte avanço dos lançamentos em 2025, mantendo o nível de atividade mesmo em um ambiente de juros elevados. Dados dos indicadores ABRAINC/Fipe apontam crescimento de 31,1% no valor dos novos projetos, e de 30,1% no volume lançado.
O desempenho está associado à maturação de projetos estruturados em anos anteriores e à adaptação das incorporadoras a condições de crédito mais restritivas.
Habitação popular lidera expansão dos lançamentos
O segmento de habitação popular foi o principal motor desse crescimento. No âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), os lançamentos avançaram 37,3% em valor e 35,1% em volume.
Já o segmento de Médio e Alto Padrão (MAP) apresentou expansão mais moderada, com alta de 25,8% em valor e 6,7% em volume, refletindo maior sensibilidade às condições de financiamento.
Vendas seguem sustentadas pelo segmento econômico
O volume de vendas cresceu 3,1% no acumulado do ano, impulsionado pelo desempenho do MCMV, que avançou 11,2%.
Em contraste, o segmento MAP registrou retração de 20,6% nas vendas, evidenciando os efeitos do cenário macroeconômico mais restritivo. Em termos reais, o valor das vendas cresceu 3,6%, com alta de 11,9% no MCMV e queda de 4,7% no MAP.
Estoque e absorção refletem diferentes dinâmicas
Ao final de 2025, o mercado apresentou aproximadamente 11,9 meses de absorção, considerando o ritmo de vendas do último trimestre.
O MAP apresentou prazo de escoamento de 14,8 meses. O MCMV manteve maior liquidez, com 11,2 meses de absorção, ambos níveis considerados adequados.
Entregas acompanham o ciclo, mas com ritmos distintos
As entregas cresceram 13,7% em 2025, refletindo o andamento do ciclo de produção. O avanço foi puxado pelo segmento econômico (+22,2%).
Os resultados de 2025 reforçam a resiliência do setor imobiliário, que manteve o nível de produção, ampliou a oferta e sustentou o crescimento das entregas mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo.
O desempenho do segmento econômico, especialmente no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida, segue como principal vetor de sustentação da atividade, contribuindo para a previsibilidade do mercado e para a continuidade dos investimentos.
Ao mesmo tempo, o segmento de médio e alto padrão enfrenta desafios relacionados ao crédito e à velocidade de vendas, em um ambiente macroeconômico mais restritivo.
