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Procura por residenciais de alto luxo vive boom histórico em SP

O volume de vendas do segmento nos primeiros seis meses deste ano foi 33,2% maior que no mesmo período de 2020

A pandemia da Covid-19 deixará um sabor amargo para grande parte dos setores econômicos do Brasil que sofreram com os períodos de lockdown, fechamento de lojas e fábricas, além do sumiço dos clientes em 2020. No entanto, há um segmento que se recordará deste período como um dos mais prósperos de sua história recente: o mercado de imóveis de alto padrão.

Na cidade de São Paulo, a performance do setor em nada lembra qualquer tipo de crise. Passado o susto inicial dos meses de abril e maio do ano passado, as vendas reaqueceram, projetos saíram das gavetas dos escritórios de arquitetura, e lançamentos destinados ao público de alta renda foram colocados na rua.

Um frenesi tomou conta de incorporadores e corretores do segmento, animados com a “tempestade perfeita” que se formou a partir da combinação de juros baixos, demanda reprimida e estoque reduzido de unidades. Seja para uso próprio ou como investimento, a procura por imóveis residenciais de alto padrão explodiu nos últimos 15 meses na capital paulista e não dá sinais de desacelerar tão cedo.

Segundo dados da Secovi-SP, entre janeiro e agosto de 2021, foram comercializados 1.999 imóveis residenciais acima de R$ 1,5 milhão na capital paulista. O volume é 15% maior do que no mesmo período de 2020 e representa 5% de todas as unidades vendidas no período. “Em São Paulo, 50% das moradias negociadas são de médio e alto padrão. No restante do país, esse percentual fica na casa de 30%”, afirma Basilio Jafet, presidente do Secovi-SP.

Conforme levantamento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o volume de vendas do segmento nos primeiros seis meses deste ano foi 33,2% maior do que no mesmo período de 2020.

Após meses de estagnação, os lançamentos também dispararam. No segundo trimestre de 2021, a oferta de imóveis novos para esse público registrou um aumento expressivo de 978,5% em relação ao mesmo período do ano passado — o melhor desempenho desde o início da série histórica, em 2014. No acumulado do primeiro semestre, o resultado foi 265% superior.

“As taxas de juros baixas nos últimos meses e as necessidades adicionais geradas pela pandemia quanto à moradia, como a busca por mais espaço, ajudaram a aquecer o setor”, avalia Luiz França, presidente da Abrainc.

O valor do metro quadrado na capital paulista também acompanhou a tendência de alta. Segundo o índice do Fipezap, a valorização nos últimos 12 meses foi de 4,17%, com o preço médio na casa dos R$ 9,6 mil. Contudo, em bairros como Moema, Itaim e Vila Nova Conceição, esse valor pode triplicar. “Temos lançamentos na cidade hoje cujo valor do metro quadrado está na faixa dos R$ 50 mil”, declara Marcello Romero, CEO da Bossa Nova Sotheby’s.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico